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Você sabe o que é a Disposofobia?

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Também conhecida como acumulação compulsiva, a Disposofobia se caracteriza pela aquisição ou recolha ilimitada de objetos com pouca ou nenhuma utilidade que, por vezes, já foram deixadas no lixo por outras pessoas. Fazem essa acumulação de maneira bastante desorganizada e com isso ocupam áreas excessivas de suas casas podendo aumentar inclusive os riscos de contaminação, doenças, insetos e incêndios.

É um transtorno emocional com sérias consequências comportamentais e cognitivas que pode gerar muito prejuízo emocional, social, financeiro, físico e até mesmo legal para quem o possui. Muitas vezes a pessoa acumuladora compulsiva perde o controle da organização e seleção de seus objetos acumulados gastando todo seu tempo disponível com isso. Assim, as coisas acumuladas passam a dominar sua vida, que a partir daí, só parece fazer sentido se continuar adquirindo descontroladamente mais objetos sem conseguir se libertar deles.

A acumulação compulsiva começa a se manifestar de lentamente e desenvolve-se de uma forma progressiva. As pessoas que sofrem com esse transtorno iniciam o hábito de acumular com a ideia de que possam, futuramente, encontrar alguma utilidade para tudo àquilo que guardaram, porém, essa utilidade não costuma aparecer. É uma perturbação que conduz ao isolamento social, diminui a mobilidade e interfere com a realização das tarefas mais básicas do dia-a-dia, como a alimentação, a forma de se vestir e a sua higiene pessoal. Essa tendência a se isolar pode vir por vergonha de sua própria condição, pelo tempo excessivo gasto por essas pessoas “organizando” seus objetos ou até mesmo pelos familiares e amigos não  conseguirem conviver com o ambiente criado pelo acumulador.

Três pontos muito específicos que caracterizam a Disposofobia são:

1- A coleção obsessiva de bens ou objetos que parecem inúteis para a maioria das pessoas;

2- A incapacidade de se livrar de qualquer um dos objetos ou bens recolhidos;

3- Um estado de aflição ou de perigo permanente.

 

Além disso, outros sinais contribuem, fortemente, para um diagnóstico em Acumulação Compulsiva, como por exemplo:

– Recolher e acumular excessivamente bens e objetos que a maioria das pessoas joga fora, tais como sucatas ou lixo, embalagens, jornais velhos, etc;

– Incapacidade ou grande dificuldade, angústia e indecisão nas tentativas de descarte dos objetos acumulados;

– Viver em condições precárias de salubridade e em desorganização por conta do acúmulo excessivo de bens e objetos, além de não permitir que alguém arrume ou limpe essa desorganização;

– Desvirtuar o espaço da casa da real finalidade de cada um dos cômodos para ocupá-lo pelos objetos acumulados;

– Negar que seja exagerado o acúmulo compulsivo, ter vergonha e constrangimento deste hábito e, ainda assim, não conseguir controlar o impulso;

– Presença de sofrimento significativo ou prejuízo em áreas sociais, ocupacionais, etc.

Uma recomendação bastante importante dos manuais de classificação com a finalidades de avaliar a gravidade do quadro é sobre o juízo crítico e noção da morbidade que o portador do transtorno tem sobre sua situação.

Existe diferença entre o acumulador e o colecionador?

Sim! Colecionar, a princípio, é um hobby, não é patológico. Os colecionadores costumam adquirir objetos que tenham aspectos em comum (sejam eles carros, chaveiros, selos, relógios, etc) e tendem a organizar esses objetos racionalmente, ou seja, respeitando espaços, valores, e possibilidades práticas de aquisição. Os acumuludaroes, por sua vez, não conseguem ter essa visão racional e realmente perdem o autocontrole para adquirir ou se desfazer das coisas.

Se os objetos de um colecionador tornam-se excessivos ocupando espaços muito grandes ou gerando sofrimento intenso ao ter que se desfazer de algum(s) deles, essa pessoa pode vir a se tornar um acumulador compulsivo. Um comprador compulsivo pode também se tornar um acumulador, mas, a princípio, o foco é a aquisição do objeto. São sintomas muito próximos.

 

Como tratar a Disposofobia?

Para o acumulador não existe problemas com sua saúde e dificilmente admite que guarda objetos em excesso, mas como já vimos, achar que não está doente, já é um sintoma. Lidar com o acumulador não é uma tarefa fácil, exige bastante compreensão e paciência. A limpeza da casa, por exemplo, não é o melhor a fazer, pois o acumulador irá sentir uma sensação de perda e vazio muito grande e acumular tudo de novo.

O melhor caminho então, é procurar ajuda de um profissional, pois a tendência da doença é evoluir cada vez mais. O diagnóstico rápido e correto evita um acúmulo maior de objetos e/ou animais. A terapia cognitivo-comportamental, nesse caso, concentra-se em localizar as causas da acumulação compulsiva, nomeadamente as raízes da ansiedade, tornando possível a modificação, gradual, da mentalidade da pessoa afetada. Muitas vezes a terapia é também combinada ao uso de medicação para ajudar a maximizar os resultados.

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Ana Carolina Brando
Ana Carolina Brando
Psicóloga e terapeuta cognitivo comportamental que aprecia e acredita cada vez mais no ser humano. Apaixonada pela família, pelos amigos, pela dança e pela leveza que a vida pode ter!

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