A birra é um comportamento que faz parte do desenvolvimento humano. Jogar um brinquedo longe, rolar no chão, gritar e começar a bater são atitudes comuns em determinada fase do desenvolvimento infantil, mas que levam os pais e responsáveis a beira de um estresse!

Inicialmente, precisamos entender que existe a fisiologia humana e que isso ampara o nosso comportamento frente as diversas situações cotidianas. Nosso corpo está apto ou não para exercer determinadas funções nas diferentes etapas da vida.

No caso da criança, existe uma região do cérebro que ainda não está desenvolvida, chamada neocórtex, que é responsável pelo planejamento, solução de problemas, pensamento analítico, reflexão e imaginação. A falta de conexão entre os neurônios, nessa parte do cérebro, impede que essas funções não sejam executadas com eficiência e isso acaba por prejudicar o autocontrole e facilitar a ocorrência de explosões de raiva, choro, grito e comportamento agressivo.

A liberação de energia por meio da birra ocorre como uma descarga energética, já que, não possuem habilidades e maturação cerebral para controlar seus impulsos. Então, situações que para nós pais são normais, como cansaço, fome, shopping lotado, fila para lanche… para as crianças, são motivos de levar o cérebro a um curto-circuito.

A birra infantil pode ter início aos dois anos de idade e se estender até por volta dos 4, 5 anos… fase em que há uma maior autonomia por parte da criança, uma vez que ocorre o aumento do número de palavras no seu vocabulário, o que possibilita se expressar com mais clareza. 

Mas qual o limite desse comportamento? Quando procurar a ajuda de um profissional?

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Nesse caso, nem sempre a ajuda de um profissional refere-se diretamente ao tratamento específico com a criança. A birra causa muito desconforto para os responsáveis, que se sentem perdidos, nervosos, angustiados e desorientados com o barulho e a atenção que a criança atrai, muitas vezes em público.

A exaustão de uma vida, de um cotidiano agitado, cheio de expectativas, frustrações, cansaço e até mesmo de descobertas, uma vez que, só aprendemos sobre a educação dos filhos vivendo o dia-a-dia, levam pais que sabem exatamente o que é melhor para seus filhos, a se perderem e desequilibrarem seus afetos.

 Por ser um comportamento tão desgastante, a intervenção de um profissional pode auxiliar esses pais no manejo da situação no dia-a-dia através de orientações psicoeducacionais, que irá promover conhecimento, discernimento e maior tolerância frente os momentos de crise.

Os episódios de birra devem se espaçar ao longo do tempo, e caso isso não ocorra, vale examinar se existem agentes estressores, como por exemplo, desordem na dinâmica familiar, chegada de um irmão, mudança de escola, divórcio dos pais, perda de um ente querido. Temos sempre que ter em mente que a criança utiliza o comportamento para extravasar sentimentos que ela não dá conta de verbalizar. 

Outro ponto a se observar e importante de se ressaltar é que, quando a criança passa da fase comum de manifestar determinados comportamentos e esses ainda se fazem presentes, os pais precisam ficarem mais atentos, pois a incidência dessas birras pode indicar a existência de um possível transtorno de neurodesenvolvimento. 

Refletir criticamente sobre como é o funcionamento da casa, como os pais exercem suas autoridades, a maneira como educam e acolhem os filhos, por onde passa o afeto, as regras, a permissividade, são dicas que podem ajudar os pontos que podem ser modificados e, a partir daí, caso haja prejuízo social e emocional nos filhos (ou nos próprios pais), buscar ajuda de um profissional capacitado para auxílio e promoção de mais qualidade de vida.

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