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O trabalho do psicólogo na vivência da amputação

Atualizado em 02/09/2019
Por Renata Giovannini

O trabalho do psicólogo na vivência da amputação

Atualizado em 02/09/2019
Por Renata Giovannini
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O trabalho do psicólogo na vivência da amputação

O Processo de Amputação não se caracteriza apenas por uma cirurgia que retira uma parte do corpo, mas sim pelas circunstâncias que levaram a esta decisão, as relações de apoio do indivíduo que participa deste processo, a extração de qualquer parte do corpo humano, incluindo os órgãos internos, e todos os procedimentos anteriores e posteriores da cirurgia.

Imaginar como será seu corpo, sua vida, sua rotina e suas possíveis limitações pode trazer vários impactos na vida de qualquer pessoa. Por este motivo é importante que a família, os amigos, e também a equipe médica sejam treinados para participarem deste momento com empatia, zelo e carinho. 

Toda e qualquer cirurgia requer cuidados e atenção específicos. Na maioria dos casos a pessoa enxerga a cirurgia de amputação como uma mutilação do corpo já que irá promover alterações súbitas em sua dimensão corporal e na sua rotina diária. Este tipo de pensamento contribui para o surgimento de um evento traumático que vem acompanhado por uma grande variação de sentimentos, alterações psíquicas sérias, e constantes distorções cognitivas que são condizentes com o momento em que o indivíduo está vivendo.

Essa mudança é incerta e gera medo. A pessoa constrói durante toda sua vida uma ideia de si e de seu corpo, e brutalmente passa a ter que imaginar e viver com um ¨novo¨ corpo, uma ¨nova¨ realidade. Por isso, é comum a pessoa se sentir derrotada e sem utilidade.

Ansiedade, angústia, humor depressivo, sensação de incapacidade e perda da independência, traduzem os medos anteriores à cirurgia e são sentimentos esperados, uma vez que ao se deparar com uma circunstância até então desconhecida, este paciente precisa entregar o seu corpo aos cuidados de profissionais de saúde também desconhecidos de seu convívio, afastar-se da família, do trabalho e de sua rotina, para então enfrentar um longo processo de mudança corporal. 

Quando estes sentimentos se encontram em graus elevados antes do momento cirúrgico, pode acabar trazendo dificuldades na recuperação após a cirurgia, pois irá afetar as expectativas do paciente no que diz respeito a sua qualidade de vida.

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Mas, assim como as causas de uma Amputação são diferentes, o enfrentamento de cada paciente também será único e incomparável. A vivência do Processo de Amputação por pacientes decorrentes de câncer, tumores malignos ou doenças vasculares, por exemplo, muitas vezes é encarado de forma positiva, uma vez que a cirurgia representa uma possibilidade de cura que irá propiciar o fim de uma dor e um retorno a uma vida independente. Entretanto, nos casos de pacientes emergências, por traumatismos e/ou acidentes bruscos, a expressão dos sentimentos vem acompanhada de uma forte angústia.

O sofrimento mental é tão grande que produz, de forma inconsciente, a paralisação dos sentimentos como uma maneira defensiva onde a esperança e a vontade de viver se encontram estáticas e representam um grande obstáculo para o processo de recuperação. É normal que estes pacientes apresentem quadros instáveis com sintomas semelhantes aos sintomas de Depressão.

As dificuldades na elaboração deste Processo como um todo, não estão apenas relacionadas à intensidade da mudança corporal, mas nas diversas visões distorcidas de si, dos outros e do mundo, em como a pessoa vivencia sua crenças nucleares, seus pensamentos automáticos, suas estratégias comportamentais e sua realidade ao longo da vida. 

O trabalho do Psicólogo em pacientes que estão vivenciando, ou já vivenciaram este processo tem como objetivo a elaboração dos esquemas psíquicos do indivíduo, trazendo à tona as forças e fraquezas desses pensamentos, para que seja possível a ressignificação e transformação deles em pensamento e comportamentos que renovem a sua autoestima e o atentem para novas conquistas. Nessas situações, a crença mais comum é uma certeza inconsciente que a pessoa tem sobre o seu desvalor, que geram pensamentos típicos como como rotulação, supergeneralização, comparações injustas, raciocínio emocional com foco em situações negativas, personalização e pensamentos de culpa. No processo terapêutico, através da psicoeducação, o paciente tem a oportunidade de reaprender a formular tais pensamentos. 

Embora saibamos que este é um momento de grande sofrimento para o indivíduo, é importante que a amputação seja enfrentada como uma fase de tratamento, que, futuramente, poderá propiciar o seu retorno a um lugar normal e produtivo na sociedade.

Dessa forma, é importante que a família e os amigos entendam o sofrimento sem evitá-lo, mas estimulando a pessoa a continuar à busca dos seus objetivos anteriores, na criação de novas conquistas, e incentivando sempre a procura por atendimento profissional capacitado para uma melhor aceitação da amputação e adoção de práticas comportamentais que auxiliem na nova realidade. 


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O trabalho do psicólogo na vivência da amputação

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Renata Giovannini, aqui no Blog.
Psicóloga, Terapeuta Cognitivo Comportamental, pós graduada em Avaliação Psicológica. Encantada pela profissão e pelo cuidado com o outro. Conheça o meu Instagram. | Clique para marcar uma consulta comigo

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