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O papel do psicólogo no tratamento de doenças crônicas

Atualizado em 05/12/2018
Por Redatora Casule

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Atualizado em 05/12/2018
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O papel do psicólogo no tratamento de doenças crônicas

Muitos profissionais da saúde se uniram em diversas especialidades com o intuito de promover novas formas de cuidados e assistência  a pessoas com doenças crônicas e possibilitar uma melhor qualidade de vida.

A doença crônica se caracteriza como um estado patológico permanente, que produz alterações psicológicas irreversíveis e requer um longo processo de reabilitação, observação, controle e cuidados. Alguns exemplos de doenças crônicas são: diabetes, doença de Alzheimer, hipertensão, asma e doenças autoimunes.

As doenças crônicas podem acompanhar durante muito tempo a vida de uma pessoa ou toda a sua vida e, neste último caso, não há cura, apenas tratamentos periódicos, tornando-se assim numa ameaça ao bem-estar e à qualidade de vida. Além da parte física, as doenças crônicas também apresentam efeitos emocionais e psicológicos que podem ser devastadores e até influenciarem o processo de tratamento.

Cada doença tem as suas especificidades, seja o número de horas que a pessoa tem de passar em serviços de saúde, as alterações na alimentação, o tempo recomendado de descanso, a possível ausência do trabalho, menos rendimento, etc. Nas situações em que a pessoa precisa de alguém para se deslocar ou para realizar alguma atividade do quotidiano, as dificuldades emocionais da gestão da doença tendem a piorar.

A Psicologia contribui para ajudar esse paciente a manter equilíbrio e entender o funcionamento dos conflitos enfrentados devido a patologia vivenciada. É papel do psicólogo oferecer ao paciente instrumentos terapêuticos para ajudá-lo a diminuir seu sofrimento e ter uma compreensão mais ampla sobre sua desorganização psíquica e encorajá-lo a criar novas possibilidades de enfrentamento.

Conviver com uma doença que não tem cura não deve significar render-se, abdicando de sonhos e objetivos. Por mais grave que uma patologia seja, por mais cruel o seu diagnóstico, o paciente precisa sempre contar com o acompanhamento psicológico em busca de um caminho menos doloroso.

A finitude do ser humano provavelmente será para sempre a mais complexa das questões humanas. Ter uma doença crônica, muitas vezes, significa lidar de maneira muito direta com esse difícil conflito existencial.

São situações de instabilidade psicológica e emocional, em que toda a equipe médica, o meio social e familiar exigem atenção do psicólogo. É ele quem poderá direcionar todos para um tratamento mais humanizado e para uma melhor comunicação entre o paciente e os demais afetados.

Diferentes doenças, diferentes reações

Nem toda doença crônica ocasionará efeitos traumáticos sobre a vida e o bem-estar dos pacientes. Mesmo que exijam cuidados constantes, alguns distúrbios provocarão sintomas mais brandos, sem afetar gravemente o indivíduo.

Outros casos já exigem um acompanhamento psicológico mais cauteloso. A própria depressão e o transtorno bipolar podem ser doenças crônicas ou, ainda, se manifestar em pessoas que sofram de outras patologias irreversíveis.

Distúrbios que apresentem efeitos mais acelerados exigem bastante atenção para o emocional dos pacientes.

O psicólogo precisa, nesses casos, se aproximar do drama do paciente e da família, contribuindo para seu entendimento existencial, para a aceitação de tratamentos possíveis e, até mesmo, para uma compreensão menos dolorosa de um destino inevitável.

Os mecanismos de defesa

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Ainda que cada reação às doenças crônicas seja única, alguns comportamentos são identificados com grande frequência. Ter que encarar um diagnóstico sem cura leva o paciente a refletir sobre aspectos muito complexos como sua própria existência, suas perdas e sua morte.

Diante desse quadro, ele pode disparar alguns mecanismos de defesa que o ajudarão a lidar com suas angústias. Alguns dos mecanismos mais comumente apontados são:

Regressão

Algumas enfermidades afetarão a independência dos pacientes. Por consequência das doenças crônicas, pode-se necessitar de cuidados mais constantes. Nesses casos é comum o paciente assumir uma postura infantilizada, embarcando em um jogo de atenção e cuidados.

Negação

Nota-se bastante a negação de alguns quadros essencialmente relacionados ao psicológico, como a dependência química e a própria depressão. Mas o mecanismo de recusa também se apresenta em outras doenças crônicas, independentemente de terem ou não sintomas muito facilmente detectáveis.

Negando o diagnóstico o paciente também recusará tratamentos, o que pode ocasionar uma progressão mais acelerada do seu distúrbio.

Aceitação

Aceitando seu diagnóstico, o paciente pode adquirir uma postura de investigação, explorando ao máximo os conhecimentos sobre a sua doença, sua condição pessoal e suas perspectivas. Esse mecanismo pode ser bem direcionado, mas precisa de atenção para que o paciente não adquira um comportamento obsessivo.

Perante esta situação, existem algumas questões fundamentais que ajudam a uma maior aceitação da doença e a uma maior procura de alternativas que aumentam o bem-estar do paciente:

  • Procurar um médico com o qual se identifique e seguir o tratamento de forma adequada;
  • Juntar-se a um grupo de apoio e assim perceber que não está sozinho com a doença e que há várias pessoas na mesma situação;
  • Manter um exercício físico regular adequado à sua situação clínica, um dieta equilibrada e cuidados preventivos, além do tratamento clínico;
  • Manter-se ativo socialmente, permitindo a aproximação de familiares e amigos, e participar em atividades que promovam o bem-estar psicológico;
  • Reconhecer e aceitar que, durante o tratamento, poderão haver dias bons e maus;
  • Lembrar-se sempre que as pessoas são muito mais do que a sua doença;
  • Procurar apoio psicológico, mesmo quando se tem um bom suporte familiar e de amigos. A ajuda de um profissional de saúde mental pode ser necessária e também muitas vezes aconselhável para os membros da família que lidam com a doença de um ente querido.

Fontes:

https://maismaismedicina.wordpress.com/2016/01/18/o-papel-do-psicologo-no-tratamento-de-doencas-cronicas/

http://actinstitute.org/blog/diagnostico-nao-e-sentenca-a-relacao-de-psicologos-e-doencas-cronicas/

http://www.psicologia.pt/artigos/ver_carreira.php?viver-com-uma-doenca-cronica&id=364

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