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Transtornos de personalidade – uma visão geral

Atualizado em 21/12/2018
Por Redatora Casule

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Transtornos de personalidade – uma visão geral

Transtornos de personalidade, em geral, são padrões generalizados e persistentes de perceber, reagir e se relacionar que causam sofrimento significativo ou comprometimento funcional.

Os transtornos de personalidade variam significativamente em suas manifestações, mas acredita-se que todos sejam causados por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Muitos tornam-se menos graves com a idade, mas certos traços podem persistir com alguma intensidade após os sintomas agudos diminuírem. O diagnóstico é clínico. O tratamento é feito com terapias psicossociais e, algumas vezes, terapia medicamentosa.

Personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo (caráter + temperamento). Pode-se dizer que é o “jeitão” de ser da pessoa, o modo de sentir as emoções ou o “jeitão” de agir. Em outras palavras, é o modo habitual, estável ao longo dos anos, de receber e processar os estímulos vindos do mundo e de devolver uma resposta (comportamento) ao meio externo. É a forma de ser, nunca um estado.

Já os traços de personalidade são os aspectos do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.

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Um transtorno de personalidade aparece quando esses traços são muito inflexíveis e mal-ajustados, ou seja, prejudicam a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando a ele próprio, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incômodo.

Geralmente esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de caráter pouco geram sofrimento para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com que amigos e familiares aconselhem o tratamento. Geralmente aparecem no início da adolescência e tornam-se crônicos (permanecem pela vida toda).

Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Muitas vezes, no entanto, o desajuste é notado desde a infância.

O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quinta Edição (DSM-5) lista 10 tipos distintos de transtornos de personalidade. Alguns tipos (p. ex., antissocial, borderline) tendem a diminuir ou desaparecer com a idade; em outros (p. ex., transtorno obsessivo-compulsivo, esquizotípico) a probabilidade é menor.

Cerca de 10% da população geral e até metade dos pacientes psiquiátricos em unidades hospitalares e ambulatoriais têm transtorno de personalidade. No geral, não há distinções claras em termos de sexo, classe socioeconômica e raça. 

Para a maioria dos transtornos de personalidade, os níveis de hereditariedade são de cerca de 50%, o que é semelhante ou mais alto do que aqueles de muitos outros transtornos psiquiátricos maiores. Esse grau de hereditariedade vai contra a suposição comum de que os transtornos de personalidade são falhas de caráter principalmente moldadas por um ambiente adverso.

Tipos de transtornos de personalidade

Existem muitos tipos de transtornos de personalidade. Não podemos esquecer que se trata de classificação. Esta classificação é descritiva e, muitas vezes, não bate com a realidade prática. Algumas pessoas não se encaixam perfeitamente em um modelo; outras preenchem critérios para diferentes diagnósticos. Obviamente temos que pensar nas pessoas como seres únicos e nos sintomas como parte de uma doença ou transtorno de causa única, mas ainda não completamente conhecida. Daí a falta de precisão dos diagnósticos.

O DSM-5 divide os 10 tipos de transtornos de personalidade em três grupos (A, B, e C), com base em características semelhantes. 

grupo A é caracterizado por parecer estranho ou excêntrico. Ele inclui os seguintes transtornos de personalidade e suas características distintivas:

Paranóide: desconfiança e suspeita. Pessoas com esse transtorno tendem a desconfiar dos outros e achar que vão ser enganadas. Por causa disso, elas podem ser hostis ou emocionalmente desapegadas.

Esquizoide: desinteresse em outras pessoas. Quem tem o problema é indiferente às interações sociais.

Esquizotípico: ideias e comportamentos excêntricos. Pode levar a um comportamento excêntrico, pensamentos e crenças incomuns ou bizarras, sentimento de desconforto em ambientes sociais e dificuldade para ter relacionamentos íntimos.

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O grupo B é caracterizado por parecer dramático, emocional ou errático:

Antissocial: irresponsabilidade social, desrespeito por outros, falsidade e manipulação dos outros para ganho pessoal. Quem tem o transtorno não reconhece os sentimentos e necessidades de outros. Também pode repetidamente mentir, agredir, roubar e ter comportamentos ilegais.

Bordeline: intolerância de estar sozinho e desregulação emocional. As características principais incluem o medo do abandono, relacionamentos intensos e instáveis, explosões emocionais extremas, comportamento autodestrutivo e sentimento crônico de vazio.

Histriônico: busca atenção. Pessoas com este transtorno são altamente emotivas e dramáticas, têm uma necessidade excessiva de atenção e aprovação e podem usar a aparência física para consegui-la.

 Narcisista: autoestima desregulada, frágil e grandiosidade aparente. São as pessoas com autoestima inflada e necessidade de admiração. Elas costumam ter pouca empatia ou preocupação com os outros e têm fantasias de sucesso, poder ou beleza.

grupo C é caracterizado por parecer ansioso ou apreensivo:

Esquivo: evitar contato interpessoal por causa de sensibilidade à rejeição. Pessoas que evitam a interação social e são extremamente sensíveis aos julgamentos negativos dos outros; elas podem ser tímidas e isoladas socialmente e ter sentimentos de inadequação.

Dependente: submissão e necessidade de ser cuidado, além de dificuldade de separar-se de seus entes queridos ou tomar decisões por conta própria. Quem tem o problema pode ser submisso e tolerar relações abusivas.

Obsessivo-compulsivo: perfeccionismo, rigidez, e obstinação. São pessoas preocupadas com regras e ordem e que valorizam o trabalho acima de outros aspectos da vida; são perfeccionistas e têm uma necessidade de estar no controle. É importante não confundir com o transtorno obsessivo-compulsivo, que é uma forma de transtorno de ansiedade.

Pessoas com transtornos de personalidade parecem muitas vezes incoerentes, confusas e frustrantes para os que estão a sua volta (incluindo médicos). Essas pessoas podem ter dificuldade em entender os limites entre elas mesmas e os outros. Sua autoestima pode ser inapropriadamente alta ou baixa. Elas têm estilos inconsistentes, desconectados, sobre-emocionais, abusivos ou irresponsáveis de paternidade/maternidade, o que pode levar a problemas físicos ou mentais em seus cônjuges ou filhos.

Pessoas com transtornos de personalidade podem não reconhecer que têm problemas.

Tratamento

O tratamento mais indicado para os transtornos de personalidade é a psicoterapia. Tanto psicoterapia individual como em grupo são eficazes para muitos desses transtornos se o paciente estiver buscando tratamento e estiver motivado para mudar.

Tipicamente, transtornos de personalidade não são muito responsivos a medicamentos, embora alguns deles possam ser eficazes para sintomas específicos (p. ex., depressão, ansiedade).

Transtornos que muitas vezes coexistem com transtornos de personalidade (p. ex., do humor, ansiedade, abuso de drogas, sintomas somáticos e os transtornos alimentares) podem tornar o tratamento desafiador, prolongar o tempo até a remissão, aumentar o risco de recaída e diminuir a resposta ao tratamento. 

Em geral, o objetivo do tratamento dos transtornos de personalidade é reduzir o sofrimento subjetivo, permitir que os pacientes entendam que seus problemas têm origem interna, diminuir comportamentos significativamente mal-adaptativos e socialmente indesejáveis e modificar traços de personalidade problemáticos.

Fontes:

 http://www.sospsiquiatria.com/sos2/index.php?option=com_content&view=article&id=12&Itemid=27″ http://www.sospsiquiatria.com/sos2/index.php?option=com_content&view=article&id=12&Itemid=27

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