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O suicídio, definido como ato intencional de acabar com a própria vida, é um fenômeno presente ao longo de toda a história da humanidade, em todas as culturas e atualmente representa um grande desafio da modernidade, sendo um   problema   que   atinge   todas   as camadas   da sociedade. 

É uma grande questão de saúde pública em todos os países e, embora  cada  vez  mais  praticado no  mundo,  ainda  é  um  enorme desafio para a sociedade falar e trabalhar o tema.

Além do suicídio, propriamente dito, encontramos os comportamentos suicidas, que envolvem os pensamentos, planos e tentativas de suicídio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta três características psicopatológicas comuns no estado mental dos suicidas. São elas:

1. Ambivalência: sentimento entre o desejo de viver e de morrer. Geralmente nesses casos há urgência em sair da dor e do sofrimento com a morte, porém, existe o desejo de sobreviver.

2. Impulsividade: Pode durar de alguns minutos a horas e geralmente é desencadeado por eventos negativos do dia a dia e por situações como: rejeição; recriminação; fracasso; falência; morte de ente querido; entre outros.

3. Rigidez: onde o indivíduo apresenta pensamentos cristalizados a respeito da própria morte, ou seja, pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema.

Mas, de fato, não existe uma única resposta ou causa relacionada ao suicídio, afinal, cada pessoa possui suas individualidades. Por isso, é um comportamento com determinantes multifatoriais e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais. Seria a consequência final de um processo, de uma série de fatores da vida do sujeito, e não de determinados acontecimentos pontuais e isolados. Está frequentemente  ligado  a  questões  como  sentimentos  negativos  de  vazio, sofrimento,   doenças,   problemas   de   relacionamento,   saúde   mental,   entre outros.

É importante considerar o que chamamos de fatores de risco, ou seja, fatores que são capazes de aumentar as possibilidades de que o ato ocorra. Tais fatores podem ser sociodemográficos (idade, gênero, religião/espiritualidade), contextuais (doença psiquiátrica, história familiar, abuso/dependência de álcool ou drogas, abuso sexual..) ou da própria esfera suicida (tentativas de suicídio prévias, planos suicidas e acesso a meios letais).

Alguns exemplos: Ansiedade e depressão; abuso de substâncias como álcool e drogas; tentativa prévia de suicídio; doença mental; desesperança, desespero, desamparo e impulsividade; idade; gênero (As taxas de suicídio são em torno de três vezes maiores entre os homens do que entre mulheres, opostamente às tentativas de suicídio que são, em média, três vezes mais frequentes entre as mulheres); doenças clínicas não psiquiátricas; eventos adversos na infância e na adolescência (como maus tratos, abuso físico e sexual, pais divorciados, transtorno psiquiátrico familiar, entre outros fatores); história familiar e genética; fatores sociais (quanto menos laços sociais tem um indivíduo, maior o risco de suicídio. Viver sozinho parece aumentar o risco de suicídio, com taxas mais elevadas entre indivíduos divorciados ou que nunca se casaram).

Muitas vezes o funcionamento interno de indivíduos suicidas gira em trono de três sensações bem definidas: intolerável (não suportar); inescapável (sem saída); e interminável (sem fim). Existe uma distorção da percepção da realidade com avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro e um medo irracional e preocupação excessiva. O passado e o presente costumam reforçar o sofrimento e o futuro parece sombrio, sem perspectiva e presença de planos.

Surge a ideação e a tentativa de suicídio, que pode culminar com o ato suicida. Médicos devem saber identificar e manejar toda a gama de características que envolvem o comportamento suicida, já que a diminuição da morbidade (ideação e tentativa) deve levar à diminuição da mortalidade (suicídio). Deve-se ter em mente que pode variar em breve escala temporal.

Embora menos definidos, concomitantemente aos fatores de risco existem os fatores de proteção, que diminuem os riscos e previne possibilidades de suicídio. São considerados isoladores contra o suicídio.

Existem diversos fatores protetores que são comuns à população em geral, como autoestima elevada, bom suporte familiar, laços sociais bem estabelecidos, religiosidade, ausência de doença mental, ter crianças em casa, senso de responsabilidade com a família, gravidez desejada e planejada, capacidade de adaptação positiva, capacidade de resolução de problemas, atividades prazerosas, resiliência bem desenvolvida, além de acesso a serviços e cuidados de saúde mental.

Um ponto de atenção deve ser o de que ninguém é realmente capaz de prever com exatidão qual indivíduo irá se suicidar, e esse é um dos motivos de nunca subestimar ou banalizar a sinalização de alguém à qualquer comportamento suicida.

O importante é promover a saúde ampliando possibilidades para lidar com as situações; aumentar os níveis de bem estar psicológico; trabalhar na diminuição dos comportamentos autolesivos e atos suicidas. Destacar e valorizar os fatores de prevenção, que possuem forte influência nas reduções dos riscos do suicídio também é ponto marcante do tratamento.

É importante  salientar, que  o  psicólogo poderá precisar  do auxílio  de  outros  profissionais  da  área  saúde  e  da  família neste processo. A avaliação de um psiquiatra, por exemplo é crucial e ampliar a rede de ajuda e suporte a esse paciente através da família e amigos próximos também otimiza o processo. A família, inclusive, assume papeis importantes. Além de estarem como suporte emocional àquele membro, ainda vão atuar como colaboradores da terapia, buscando evitar que o paciente fique por períodos longos sozinho, cuidando de objetos perigosos e letais dentro de casa, diminuindo os riscos para o mesmo.

Sabe-se que não há uma garantia de evitar o suicídio, no entanto, o psicólogo precisa estar disponível e demonstrar afeto e empatia, caminhando junto no processo terapêutico no sentido de promover a saúde e contribuir para possibilidades de escolhas alternativas.

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Ana Carolina Brando
Ana Carolina Brando
Psicóloga e terapeuta cognitivo comportamental que aprecia e acredita cada vez mais no ser humano. Apaixonada pela família, pelos amigos, pela dança e pela leveza que a vida pode ter!

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