transtorno dismórfico corporal

Será que o que você vê no espelho é real?

Atualizado em 23/08/2017
Por Redatora Casule

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Será que o que você vê no espelho é real?

O transtorno dismórfico corporal (TDC) ou simplesmente dismorfofobia é uma preocupação obsessiva com algum defeito corporal suposto ou de mínima realidade, que afeta a aparência física. Na maioria das vezes esta condição mórbida ocorre nos adolescentes de ambos os sexos, mas pode ocorrer também em adultos, principalmente nas mulheres. O transtorno dismórfico corporal é constituído por pensamentos praticamente delirantes, com características obsessivas, resistentes a todas as demonstrações objetivas em contrário (opinião das demais pessoas, espelhos, balanças, fotos etc.), além de serem intrusivos à consciência e em geral acompanhados por rituais.

Os sintomas podem se desenvolver gradual ou abruptamente. Embora a intensidade dos sintomas possa variar, o transtorno é habitualmente crônico, a não ser que os pacientes recebam tratamento adequado. Os sintomas comumente envolvem face ou cabeça, mas podem envolver qualquer parte do corpo ou várias partes, podendo mudar de uma parte para outra. Por exemplo, os pacientes podem se preocupar com perda de cabelo, acne, rugas, escaras, marcas vasculares, cor da fisionomia, excesso de pelos faciais ou corporais. Ou pode focar em forma ou tamanho de uma parte do corpo, como nariz, olhos, ouvidos, boca, mamas, nádegas, pernas ou outras partes do corpo. Os homens podem ter uma forma do transtorno chamada dismorfia muscular, que envolve a preocupação com a ideia de que seu corpo não é suficientemente magro e musculoso.

Os pacientes costumam gastar de 3 a 8h por dia pensando em seus defeitos percebidos e tem controle apenas limitado sobre esses pensamentos. Tentar explicar que o defeito físico é inexistente ou menor será inútil; indivíduos com transtorno dismórfico corporal continuarão a agonizar sobre suas falhas percebidas. Muitos checam a si mesmos, com frequência, em espelhos (olhando nas portas reflexivas, janelas e outras superfícies refletoras), outros evitam espelhos e outros ainda alternam entre os dois comportamentos. Outros rituais compulsivos comuns incluem asseio excessivo, busca por reafirmação e mudanças de roupas. A maioria tenta camuflar seus defeitos imaginários – por exemplo, deixando crescer a barba para esconder cicatrizes ou usando chapéu para cobrir leve perda de cabelos. Muitos procuram tratamentos cosméticos, médicos (mais comum, dermatológico), dentários ou cirúrgicos para corrigir seu defeito percebido, mas esse tratamento geralmente não tem sucesso, o que pode intensificar o seu sofrimento.

Algumas pessoas exibem preocupação com o cheiro corporal (mau hálito, odor das axilas ou dos pés) que exalam ou com uma alegada “feiúra” geral. As pessoas com transtorno dismórfico corporal normalmente demoram muito em atividades como verificar sua aparência num espelho, apalpar sua pele com os dedos, pentear e ajeitar os cabelos, cuidar de sua pele, comparar-se com os modelos em revistas etc. Tudo isso leva as pessoas que sofrem do mal a evitar lugares públicos e até mesmo sair de casa. Alguns deixam suas casas apenas à noite; outros nem assim, o que pode resultar em isolamento social, hospitalização repetida e comportamento suicida.

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Como muitos pacientes ficam envergonhados e embaraçados demais para revelar seus sintomas, o transtorno pode não ser diagnosticado por anos, sendo diferente de preocupações normais com a aparência, pois consome tempo e causa desconforto significativo, prejuízo no funcionamento ou ambos.

As causas do transtorno dismórfico corporal são bastante discutíveis e existem algumas teorias que tentam explicá-las: a teoria biológica sugere que haja um aspecto genético e que o distúrbio se acompanha de um desequilíbrio da serotonina ou de outros neurotransmissores no cérebro. Há também relato de casos que tiveram início pós-encefalite ou pós-meningite. A explicação psicológica aponta para uma baixa auto-estima; a educação rígida ou pais superprotetores; poucos amigos durante a fase escolar; ganhos secundários; famílias em que se dá maior ênfase em conceitos estereotipados de beleza; comentários, ainda que inócuos ou neutros, em relação à aparência; acidentes traumáticos; e a deficiência de carinho e aprovação na infância, levando a uma autocrítica destrutiva e a sentimentos de abandono. Os adolescentes podem ter medo de ficar sozinhos e isolados por toda sua vida ou acreditar que serão inúteis se não conseguirem corrigir aspectos da sua aparência. Eles desejam uma perfeição ideal em sua aparência, o que é impossível. Uma vez que a doença tenha se desenvolvido, ela é mantida pela excessiva atenção que a pessoa dedica a um comportamento auto-centrado, como verificar o “defeito” percebido e fazer comparações com outras pessoas.

O transtorno dismórfico corporal pode estar associado com o Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Delirante, Fobia Social e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e o seu tratamento geralmente inclui terapia cognitivo-comportamental (TCC), medicação e aconselhamento comportamental.

                A Terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajuda as pessoas a reduzir comportamentos problemáticos por desafiar suas crenças e pensamentos negativos. Ajuda a ter uma visão e parar pensamentos negativos automáticos enquanto aprende a se autoavaliar de uma forma mais realista e positiva. Indivíduos também podem aprender maneiras saudáveis de lidar com impulsos ou rituais, como a verificação no espelho. Já a medicação, normalmente antidepressivos, complementam o tratamento.

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