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Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva ou anancástico: o que é e como tratar?

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Transtorno de personalidade

Com sabemos, um transtorno da personalidade é caracterizado por padrões recorrentes de características extremadas na maneira de pensar, de perceber e comportar-se frente as situações mais diversas do cotidiano e que afetam diretamente a vida de uma pessoa consigo mesma, na suas relações com o mundo e com outrem, principalmente na vida familiar e profissional.

São aproximadamente dez transtornos da personalidade , e estes são agrupados em três grupos, os quais englobam transtornos com características deveras semelhantes. Este trabalho visa abordar o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva, ou anancástico, que se enquadra no terceiro grupo dos transtornos (ou grupo C), juntamente com os transtornos da personalidade esquiva e dependente, que tem por características fundamentais traços decorrentes de um quadro de ansiedade ou o amedrontamento, e que se manifesta no início da idade adulta.

O transtorno da personalidade anancástica

O transtorno da personalidade anancástica é marcado por um padrão generalizado e exarcebado de perfeccionismo e inflexibilidade, ou seja, as pessoas que sofrem com este transtorno preocupam-se em demasia com a observância das normas, regras, com a organização de suas coisas e da sua rotina, mostrando-se altamente detalhista. É mais frequente em homens, podendo ter sido desencadeada na infância e por fatores ambientais.

O diagnóstico do transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva segundo o DSM-IV deve englobar ao menos quatro das seguintes características quando muito frequentes:
(1) preocupação tão extensa com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o alvo principal da atividade é perdido

(2) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (p. ex., é incapaz de completar um projeto porque não consegue atingir seus próprios padrões demasiadamente rígidos)

(3) devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica)

(4) excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em questões de moralidade, ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa)

(5) incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental

(6) relutância em delegar tarefas ou trabalhar em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas

(7) adoção de um estilo miserável quanto à gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras

(8) rigidez e teimosia. (apud BARLOW; DURAND, p. 538, 2010)

Estes traços nos revelam que a pessoa anancástica não se contenta em manter-se sob a tutela das normas e regras que eles próprios se impõem, e tentam que os demais que o circundam ou que com ele convivem também sigam fiel e devotamente ao seu esquematismo metódico (precisão). A possível violação destas leis e regras gera uma ansiedade muito grande nos anancásticos, provocado insegurança e desorientação. Esta preocupação exagerada com os detalhes, as regras, a organização e esquemas (listas de planejamento), bem como a preocupação com que as coisas saiam perfeitas e muito bem planejadas acabam por comprometer substancialmente a execução dessas mesmas coisas, uma vez que sempre denotarão certa indecisão nos atos realizados, e, por conseguinte, sempre pensarão que se podia fazer melhor.

Normalmente essas pessoas são escravizadas pelo simétrico, pela limpeza e pela ordem das coisas, desde a arrumação de seus pertences pessoais, como guarda-roupas, gavetas, mesas, até a organização extremamente cuidadosa de coisas relacionadas à ocupação e profissão. As pessoas portadoras do transtorno anancástico da personalidade sofrem com tudo que contraria suas próprias regras, determinações e manias, por isso são exigentes e inflexíveis consigo próprias e com os que lhes são mais próximo. (BALLONE , 2009).

Logo, inflexibilidade, rigidez e teimosia também se tornam traços frequentes dessa personalidade. Aliado a isto, percebe-se uma perda de tempo considerável em atividades relativamente de rápida execução, uma vez que as pessoas obsessivo-compulsivas perderem muito tempo alinhando coisas, papéis, livros, roupas, contando e recontando, ou seja, executam atos repetitivos para uma auto-certificação de que não estão fazendo nada errado ou de maneira equivocada (cautela excessiva). Soma-se as características supracitadas, as dificuldades que os obsessivo-compulsivos têm para expressar sentimentos de ternura, compaixão e compreensão em relação ao outros. Essa dificuldade em manifestar e compreender afetos e sentimentos sublimes dá-nos a impressão de falta de generosidade, de compaixão e de tolerância, porém, o que podemos afirmar é que todas essas características mencionadas causam um sofrimento muito grande nos anancásticos, uma vez que os tornam reféns de si mesmos. Até mesmo em situações de lazer e recreação, nota-se uma meticulosidade tão alta que os anancásticos acabam por não aproveitar estes momentos de descontração, haja vista que a mínima infração no planejamento de um passeio é motivo para arruinar o mesmo. Aliado e isto, os que sofrem do transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva tem necessidade de produção (sentir-se útil e produtivos) até nestes raros espaços de lazer, podendo até excluir o prazer, em detrimento de seus esquemas idealizados. É comum que estas pessoas se sintam felizes apenas quando estão produzindo e, de fato, elas acabam descobrindo alguma coisa“produtiva” mesmo quando estão passando férias na praia.

Com efeito, os anancásticos podem ser excessivamente controladores em suas relações, principalmente na família; comumente são grandes poupadores, fazendo contas sobre a economia pessoal ou familiar constantemente. Um outro traço muito característico deste tipo de personalidade consiste em ajuntar coisas sem muita utilidade, mas sempre muito bem armazenados e organizados, bem como estocar alimentos em excesso. Quanto ao tratamento da pessoa que sofre com o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva sabe-se que o melhor caminho até o momento presente está na terapia. Esta, segundo Barlow e Durand: combate os receios que parecem estar na base pela necessidade pela ordem. Esses indivíduos temem que tudo o que fazem é inadequado, portanto protelam excessivamente a respeito de temas importantes e pormenores insignificantes. Os terapeutas ajudam a pessoa a relaxar ou a usar técnicas de distração para redirecionar os pensamentos compulsivos. ( p. 537, 2010).

A terapia cognitivo-comportamental ajuda os pacientes a mudar hábitos e amenizar os efeitos do perfeccionismo, levando-o a perceber os danos causados a si mesmo e aos outros mediante seu comportamento. Há também a possibilidade de uso de medicamentos; mesmo assim não se possui muitas informações quanto à eficácia de algum tratamento de pessoas com esse transtorno.

Referências: 

BALLONE GJ; MENEGUETTE JP -Transtornos da Personalidade. PsiqWeb. Disponível em <www.psiqweb.med.br > . Revisto em 2009. Acesso em 21 out. 2013. BARLOW, David H.; DURAND, V. Mark.Transtornos da Personalidade.

Psicopatologia: uma abordagem integrada. Tradução Roberto Galman. São Paulo: Congaje Learning, 2010.

Fonte: http://www.academia.edu/5074643/Considera%C3%A7%C3%B5es_acerca_do_Transtorno_da_Personalidade_Obsessivo-compulsiva_ou_ananc%C3%A1stico

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Nayara Benevenuto
Nayara Benevenuto
Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes. Atende: adultos, casais, famílias, crianças e adolescentes. Afiliada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

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