Muitas pesquisas científicas se debruçam sobre o TDAH na infância devido ao início precoce do aparecimento da doença, mas pouco se fala como as crianças com TDAH ficam quando se tornam adultas. Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção, cerca de 2/3 das crianças com o diagnóstico continuam com os sintomas da doença, apesar da manifestação clínica ser um pouco diferente.

Os sintomas estão relacionados à desatenção e hiperatividade/impulsividade.

 

Desatenção

A desatenção em adultos pode ser observada em conversas com outras pessoas, em tarefas que exijam organização e sustentação da atenção ao longo do tempo e nas dificuldades com os estudos e/ou trabalho, bem como na memorização. É importante ressaltar que diante de situações estimulantes, os adultos conseguem manter a concentração, assim como as crianças. A dificuldade está nas tarefas que eles julgam como “chatas”, “trabalhosas”, ou quando se encontram entediados ou distraídos por estímulos internos (emoções) ou externos. Nesses casos, a dificuldade de concentração se manifesta em níveis significativamente maiores dos que os observados pelas outras pessoas, comprometendo o desempenho nas tarefas.

 

O hiperfoco é um sintoma de TDAH que se manifesta como uma pergunta muito frequente dos pacientes: “como eu consigo ter concentração demais em algumas coisas e quase nada em outras?”. O hiperfoco é a atenção excessiva a detalhes ou atividades específicas, geralmente pouco relevantes (como séries, redes sociais), e ocorre em pessoas com e sem TDAH. No entanto, como no TDAH há uma alteração na capacidade de controlar voluntariamente a atenção, o paciente tem dificuldade no autocontrole dos estímulos, isto é, o que é mais estimulante, o que não é, o que vai focar e o que não vai focar. O hiperfoco tem uma duração limitada, chegando a certo ponto que a pessoa começa a ficar cansada ou até mesmo, exausta, de modo que, após certo tempo, acaba se dispersando.

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Hiperatividade/impulsividade

A hiperatividade/impulsividade é observada quando o adulto apresenta dificuldade em permanecer parado, comumente em situações específicas. Esta dificuldade em geral está acompanhada por agitação, maior intensidade emocional, impulsividade, falta de autocontrole, alteração no sono e nas atividades que exijam que fiquem parados por longos períodos. Pode-se citar alguns exemplos de impulsividade, como interromper alguém, fazer comentários pouco assertivos de forma não intencional e se comportar de modo inconveniente em algum contexto social.

 

Disfunção executiva

O grande problema do TDAH é o comprometimento das chamadas “funções executivas”, isto é, a capacidade de planejamento, execução de tarefas, organização, persistência, manejo do tempo, regulação emocional, controle de impulsos, estabelecimento de prioridades, tomada de decisão e integração de diferentes atividades mentais de momento a momento, entre outras. As funções executivas capacitam o indivíduo para o desempenho de ações, e um déficit nessas funções compromete as relações pessoais e acadêmicas/profissionais, na medida que gera problemas na estimativa e uso do tempo, no cumprimento de obrigações, além de dificuldades de colocar em prática o que foi acordado no plano teórico. Infelizmente, muitas vezes, os pacientes apresentam autoestima rebaixada e crença de desvalor geradas a partir de experiências negativas que podem ocorrer no âmbito acadêmico/profissional.

 

Nayara Benevenuto Peron

Psicóloga e Terapeuta Cognitivo-Comportamental

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