Quando a família se depara com um doente em estado crônico, é inegável constatar as diversas mudanças que toda a família sofrerá em vários aspectos. Uma primeira mudança que pode-se destacar é a financeira, na medida em que agora a família irá arcar com as despesas relacionadas ao tratamento, como medicamentos, exames, deslocamento para as unidades de saúde, dentre outros. Isso representa uma alteração no orçamento familiar que se agrava quando a doença se torna crônica, pois isto representa despesas contínuas que podem acarretar cortes de suprimentos e de outras necessidades da família, gerando uma preocupação com as condições financeiras para atender às necessidades financeiras do paciente e da família. 

Além disso, pode ocorrer uma desestruturação familiar quando o doente crônico é o provedor da família, acarretando uma mudança da pessoa-foco para o suprimento das carências familiares. Além dos aspectos financeiros, os familiares dos doentes crônicos experimentam alterações emocionais – sentimentos de aflição, medo, tensão, insegurança, preocupação, impotência e intranquilidade – desencadeadas pelas internações recorrentes, pelo medo de complicações e pelo medo da morte. Certamente, essa instabilidade emocional repercute no enfrentamento pessoal e familiar dessa situação. Diante disso, observa-se que a doença de um membro da família também é a doença da própria família, pois a saúde de uma família está intimamente ligada com a soma da saúde de todos os indivíduos que a constituem (Silva et al, 2002).

De acordo com Simonetti e Ferreira (2008), as famílias que tem um de seus membros com problemas crônicos de saúde sentem, juntamente com ele, toda a problemática que envolve a questão. Observa-se que uma doença crônica pode trazer transtornos tanto para o portador como para o responsável pelo cuidado desse indivíduo, porque o desempenho deste papel pode gerar mudanças e sobrecarga, bem como estresse, interferindo de maneira significativa na vida do cuidador. Na maioria das vezes, o cuidador familiar desempenha seu papel sozinho, sem ajuda de outros familiares ou de profissionais. Nesse caso, ele se configura como cuidador principal e representa o elo entre o doente, a família e a equipe de saúde. 

Indivíduos que convivem com pessoas que necessitam de constantes cuidados de saúde podem demonstrar os mais diversos sentimentos que permeiam este processo. A maioria dos cuidadores relata ter sentimento de impotência e incompetência para desempenhar algumas tarefas específicas que envolvem o cuidado com o doente crônico. As narrativas desses cuidadores revelam as dificuldades da realidade diária, como conviver com o sofrimento e a dor, permeado por sentimentos ambíguos que se originam nos conflitos afetivos (Simonetti e Ferreira, 2008).

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O cuidado ao doente crônico traz para o cuidador, na maioria das vezes, sofrimento e privações. Segundo estudo realizado por Simonetti e Ferreira (2008), alguns dos principais estressores enfrentados pelos cuidadores são: cuidados diretos e contínuos e necessidade de constante vigilância; falta de preparo e conhecimento para executar o cuidado; problemas de saúde associados ao excesso de trabalho; conflitos familiares pela falta de divisão do trabalho e de reconhecimento por parte de outros membros da família; dificuldades de adaptação à nova situação, incluindo aspectos financeiros, redução de atividades profissionais, sociais e de lazer.

Portanto, pode-se dizer que a doença crônica afeta todos os aspectos da vida familiar, visto que os padrões, papéis e tarefas da dinâmica familiar são profundamente alterados. E, por esta razão, o familiar irá se beneficiar do tratamento psicológico.

Fontes:

Silva, L. F.; Guedes, M. V. C.; Moreira, R. P.; Souza, A. C. C. (2002). Doença Crônica: o enfrentamento pela família. São Paulo: Acta Paulista de Enfermagem, v. 15, n. 1, p. 40- 47. Disponível em: <http://www.unifesp.br/denf/acta/2002/15_1/pdf/art5.pdf>

Simonetti, J.P.; Ferreira, J.C. (2008). Estratégias de coping desenvolvidas por cuidadores de idosos portadores de doença crônica. São Paulo: Revista da Escola de Enfermagem da USP, 42 (1): 19-25. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v42n1/03.pdf> 

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