Querer atingir nossos objetivos, aprimorar nosso desempenho, estabelecer metas, revisar e se preparar para as tarefas pelas quais somos responsáveis são boas características, não?

Contudo, quando a busca pelo alcance dos padrões estabelecidos por nós mesmos e a dedicação para realizar as nossas tarefas são acompanhadas de autocrítica, preocupação e frustração excessivas a busca pelo alcance dos padrões estabelecidos pode não estar sendo tão eficaz e nos levar a grande carga de estresse e sofrimento.

Já ouviu falar de perfeccionismo? Ele pode ser definido como uma tendência em manter padrões elevados, associado a sofrimento subjetivo e prejuízos significativos. Ter padrão pode ser importante, mas precisamos analisar nossos padrões de maneira realista.

Há três dimensões no perfeccionismo:

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  • Perfeccionismo auto-orientado: ampla motivação interna em ser perfeito, com estabelecimento de padrões irrealistas para si próprio, associados a autocrítica severa, além da inabilidade em aceitar os próprios erros e falhas;
  • Perfeccionismo orientado para os outros: tendência em estabelecer para os outros, padrões exigentes, julgando rigorosamente e criticando o comportamento das outras pessoas;
  • Perfeccionismo socialmente prescrito: acreditam que as outras pessoas possuem grandes expectativas sobre eles, sendo que estas são praticamente impossíveis de serem atingidas na maioria das vezes; os perfeccionistas deste grupo acreditam que os elevados padrões de exigência são impostos pelos outros;

A origem e desenvolvimento do perfeccionismo são temas de diversas pesquisas: há influência dos fatores genéticos, cognitivos, inter-relacionais, culturais, etc. 

Uma das primeiras coisas que aprendemos com a terapia Cognitivo-Comportamental é que não são as situações que vivenciamos que possuem tanta influência no nosso estado de humor mas sim a interpretação que fazemos delas. Essas avaliações por vezes podem ser chamadas de pensamentos distorcidos. Os mais comuns na vida de uma pessoa perfeccionista são:

  • Atenção seletiva: quando um aspecto da situação vira o foco da atenção, enquanto outros são desconsiderados. P. ex.: “Apesar de ter sido aprovado no vestibular, não fiquei entre os melhores”;
  • Tirania dos “deveria”: relacionado a regras e padrões que o individuo estipula para si ou para os outros. P. ex.: “Eu devo sempre ser o melhor”;
  • Catastrofização: está relacionado em imaginar o pior cenário possível frente a uma situação futura. P. ex.: “Se meu relatório não estiver perfeito, poderei perder o meu emprego”;
  • Pensamento “tudo ou nada”: diz respeito a apenas duas formas de interpretação de um evento, geralmente extremas. P. ex.: “Se eu não tirar a nota máxima na prova significa que sou um fracasso”;
  • Rotulação: está ligado à tendência em rotular a si e/ou os outros frente a determinadas situações. P. ex.: “Sou um fracasso”;
  • Personalização: relacionado ao fator autocrítica severa, atribui toda a responsabilidade por resultados negativos a si mesmo, desconsiderando todos os outros fatores que também podem ter contribuído para tal situação. P. ex.: “Se esse projeto não for fechado a culpa é inteiramente minha”;

A terapia Cognitivo-Comportamental auxiliará o paciente na aprendizagem de estratégias que o ajudarão no manejo do perfeccionismo. Algumas delas são:

  • O autoconhecimento e a psicoeducação;
  • Identificação e questionamento dos pensamentos distorcidos;
  • Vivências de novas experiências e comportamentos;
  • Aceitação e autocompaixão.

Sabemos que não é tão simples modificar uma característica que nos acompanha a anos contudo, existem profissionais que podem lhe ajudar a encontrar soluções e novas formas de pensamento e comportamento. Não deixe de procurar por ajuda!

Referências:

Mender, M.A., Talask, G. Perfeccionismo. In: Carvalho, M.R, Malagris, L.E.N., Rangé, B.P. Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental. (2019).

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