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Especialista alerta para risco da depressão em homens

Pacientes do sexo masculino têm dificuldades em buscar ajuda e acabam se refugiando na bebida ou optando pelo suicídio.

“É uma dor que sufoca, é emocional e físico, parece que vai faltar ar, é muita pressão no peito e na cabeça. Eu fico me perguntando por que isso aconteceu comigo, nunca tive problemas com a vida, sempre enfrentei tudo com bom humor, as pessoas me conhecem como um cara brincalhão. Eu só dormia, não tinha motivos para levantar da cama. Queria sumir, apagar, não dá para explicar. Gostaria de voltar a ficar bem e acabar de vez com os sentimentos ruins. Definitivamente eu não queria ficar assim.” O depoimento é de um servidor público, 60 anos, que preferiu ter a identidade preservada. Vivendo há dois anos entre os altos e baixos da depressão, ele afirma que hoje aprendeu a entender suas emoções e consegue controlar melhor as crises, que apesar de menos intensas, ainda são recorrentes. O servidor demorou a admitir que estava doente e que precisava de auxílio médico, mas quando aceitou sua situação e pediu ajuda encontrou um caminho para se sentir melhor. “O homem tende a protelar até o problema ser explosivo, quando tem um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo. A mulher fala mais e não se acanha em procurar auxílio. Eles já são mais resistentes a isso”, esclarece a médica psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Elimar Jacob Salzer Rodrigues. Ela frisa que os sintomas da depressão são os mesmos para homens e mulheres, a diferença está em como eles encaram a doença (ver quadro). Elimar Jacob atribui a tal comportamento um fator cultural intrínseco da sociedade: “o homem não pede ajuda, muitas vezes, pela exigência de ter que se mostrar ‘durão’ para os outros”. Essa negação, ainda de acordo com a psiquiatra, pode fazer com que o doente tente resolver a situação por conta própria. “Isso pode piorar ainda mais o quadro, pois eles tendem a buscar a bebida alcoólica e as drogas, criando um outro problema, a dependência.” O diretor e tesoureiro dos Alcoólicos Anônimos de Juiz de Fora (AA), que optou por não ter o nome revelado, comprova que o álcool pode surgir como alternativa para fugir do problema. “A bebida servia para mim com uma forma de desabafo. Eu buscava nela uma maneira de aliviar as tensões do meu dia a dia. Quando estava triste, o álcool servia para relaxar.” Antes de frequentar o AA, ele diz que não procurou auxílio médico para não “ter que ouvir o diagnóstico”. “O alcoólatra se torna mais rebelde, não quer ouvir o que precisa e afunda. Ele vê duas saídas: esperar chegar ao fundo do poço para pedir ajuda ou a morte”, declara o diretor do AA.

Mortes

As recentes mortes do ator Robin Willians e do humorista Fausto Fanti trouxeram à tona o drama da depressão e serviram de alerta de como essa condição pode levar ao suicídio. A doença, que acomete uma a cada três pessoas em todo o mundo, pode ser de longa ou curta duração, varia de acordo com a carga genética e o ambiente de cada paciente. Na sua forma mais grave, ela pode levar o paciente a atos extremos. Segundo a psiquiatra, muitas vezes o doente ameaça se matar, mas não é levado a sério. “A família não acredita, mas 60% das pessoas que falaram em suicídio consumaram o ato. É um percentual muito alto.” Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a frequência de suicídio em homens é quatro vezes maior que em mulheres, embora elas tentem mais a violência contra a própria vida. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que o número de mortes relacionadas à depressão cresceu 705% no Brasil em 16 anos. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

Doença é maior motivo de invalidez

A depressão é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como problema de saúde pública mundial desde 2011 e é atualmente o principal motivo de ausência no trabalho e na escola. A estimativa é que a patologia seja, até 2025, a maior causa de incapacidade e morte no mundo. Dados da OMS revelam ainda que, atualmente, mais de 350 milhões de pessoas sofrem com esse mal. De acordo com a médica psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Elimar Jacob Salzer Rodrigues, a depressão é caracterizada por um sofrimento muito forte que as pessoas não conseguem resolver sozinhas e não sabem o motivo dele. “Às vezes, pessoas desavisadas, até mesmo a família, cobram que o doente melhore por conta própria. Mas isso não tem condição de acontecer, porque a origem do problema não é só emocional, mas também bioquímica, genética ou desencadeada por fatores como o estresse, por exemplo”, esclarece a especialista. “Quanto mais minha esposa falava: ‘levanta daí’, menos vontade eu tinha de sair da cama.” A rotina da doença é relatada pelo servidor público como um montanha russa de sentimentos. “São muitos altos e baixos, mas eu tenho tanta esperança e vontade de melhorar, que, no dia que eu acordo bem, acho que estou curado, é um alívio. Mas no dia seguinte, ou em uma semana, não tem prazo, volta. Aí eu acho que não vai ter jeito de ficar bem. É um ciclo.”

Família

Os familiares da pessoa com depressão também precisam ser orientados sobre as origens da doença e seus sintomas. De acordo com a especialista, o ideal é acolher e acompanhar o deprimido ao médico ou em atividades que possam diverti-lo. “A pessoa com depressão não tem condição de resolver sua doença sozinha. Ela precisa do auxílio médico e medicamentoso, pois não é apenas um problema emocional, é bioquímico e genético. Talvez possa precisar de vigilância durante 24 horas por dia”, confirma Elimar. No caso do servidor público, a família aprendeu a lidar com a situação, as cobranças são menores e os estímulos para diversão, mais frequentes. A esposa, que também optou por não ser identificada, conta que, no início das crises depressivas do marido, achou que iria adoecer junto. “Eu não sabia o que fazer e vê-lo naquela situação, dormindo o dia inteiro, irritado, me deixava muito triste e também nervosa. Hoje já sei que tem horas que devo ficar ao lado sem falar nada e que, em outras, posso deixá-lo sozinho.” Além da orientação familiar, o tratamento com remédios é mandatório na depressão. “Quando bem indicados, os medicamentos são eficazes em 80% dos casos. É indispensável ainda o trabalho psicoterápico e as atividades física e produtiva associados”, alerta a médica. Não confundir tristeza com depressão é fundamental para ajudar o paciente, atenta a psiquiatra. “A depressão é uma enfermidade grave e tem diversos graus. Já a tristeza não é doença, é uma reação humana normal. A tristeza é limitada, chega e vai embora sozinha, mas tristeza que não passa é depressão e merece atenção. Nela, o doente não consegue identificar o motivo de sua dor, reforça ela. “Não sei como começou, mas quando percebi, já estava assim. Um dia vai acabar e vou ficar bem, já estou melhorando”, finaliza o servidor. Fonte: Tribuna de Minas.

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