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Nosso inconsciente dita muitas regras silenciosas, frutos de nossas experiências, que acabam regendo nosso comportamento em diversas áreas da vida. O relacionamento entre mães e filhas pode ser generoso, gentil, dotado de um amor genuíno que pretende ensinar, orientar e acolher, mas pode ser também conflituoso e agressivo, repleto de ciúme ou inveja, sem que nenhuma das partes perceba de imediato que existe ali a marca da competição.

Muitas mães competem com as filhas. Anseiam, inconscientemente na maior parte das vezes, por sua juventude, por sua beleza, por suas realizações acadêmicas ou profissionais. Essas mães não percebem que invadem o território de suas filhas e por vezes tentam trocar confidências com seus namorados, tentam ser mais amigas dos amigos da filha do que ela própria. Sequer se dão conta de que buscam se vestir e se comportar de forma parecida, talvez na ânsia de resgatar a própria adolescência, aquela que não teve condições de viver como desejava.

Outras mães podem agir de forma mais agressiva, colocando sua experiência de vida em evidência, mostrando ostensivamente ou subliminarmente à filha o quanto ela é despreparada. Geralmente são mães mais sensualizadas, críticas com relação à aparência das filhas, reclamando que elas poderiam se vestir melhor ou se comportar de outra forma, e caem em comparações com outras meninas, quando não se tornam o exemplo que acreditam que deve ser seguido.

Existe ainda a possibilidade de a mãe ter ciúme da filha com relação ao pai. Os pais normalmente elogiam suas meninas que estão crescendo, muitas vezes as superprotegem e, diante do desconforto experimentado pela filha em função das constantes críticas de sua mãe, essas meninas elegem o pai como confidente, sentem-se mais confortáveis e acolhidas por ele, acirrando ainda mais o incômodo dessa mãe com essa proximidade.

No caso de mãe e filha que não convivem com o pai, a competitividade pode aparecer quando ambas saem juntas para o mesmo divertimento e isso implica em flertes ou paqueras, como as conhecidas baladas. É claro que essas mães têm todo o direito de ir para onde quiserem e “ficar” ou namorar quem bem entenderem, mas pode ser constrangedor para a filha que sua mãe frequente os mesmos lugares nos mesmos dias. Será mesmo necessário?

A difícil tarefa de compreender e anular a competição

Uma das consequências da competitividade para as filhas é o recolhimento. Muitas meninas ficam com uma sensação permanente de inadequação. Algumas passam a sair pouco com os amigos e descuidar cada vez mais da aparência, enquanto outras se afundam silenciosamente nos livros e no trabalho quando já estão em idade de trabalhar. Não querem mais namorar porque ficam com a impressão de que não serão competentes para se fixar numa relação, afinal nunca serão tão interessantes quanto suas mães. Essas moças são assoladas por uma espécie de ansiedade, outras vezes por uma dolorosa apatia.

Ter uma mãe competitiva pode tonar a vida da adolescente ou da jovem adulta um grande problema.Ter uma mãe competitiva pode tonar a vida da adolescente ou da jovem adulta um grande problema.

Elas podem se sentir culpadas por serem belas e terem uma vida toda pela frente, ou a culpa pode passar pelo discurso de muitas mães que se queixam constantemente: “se eu tivesse tido oportunidade de estudar…”, “se eu pudesse voltar no tempo…”, “se meus pais pudessem ter me dado o que você tem hoje…” e outros comentários que acionam o sentimento de culpa e impotência, como se a filha tivesse alguma responsabilidade sobre a vida que sua mãe teve e escolheu ter.

Por outro lado, a reação das filhas vítimas de mães competitivas pode ser a de afrontar essa mãe, lutando o tempo todo por seu espaço legítimo de jovem. Então, o comportamento passa a ser agressivo, o uso de palavras rudes e as acusações são frequentes e as atitudes diante de sua feminilidade serão ousadas, como que buscando com certa urgência o momento futuro, antecipando experiências, pulando fases, deixando de saborear o fluxo natural do amadurecimento. O relacionamento, com frequência, vira uma guerra.

A figura da mãe-amiga, cúmplice, confidente, parceira, não existe para essas filhas ou não é reconhecida por elas, que se sentem constantemente ameaçadas, perdidas, sem saber como agir.

Mães podem resgatar relação com filhas

É certo que mães competitivas têm suas razões perdidas na inconsciência para terem esse tipo de comportamento. Em alguma instância, elas também se sentem ameaçadas pelo viço da juventude num momento em que começam a se dar conta do tempo que passa e que deixa suas marcas no corpo físico, ou quando acreditam que não têm mais tempo para novas conquistas, seja no campo afetivo, acadêmico ou profissional. Elas não gostam de ser quem são e desejam viver a vida de suas filhas.

A essas mães, que se reconhecem nesse lugar, sugiro uma reflexão a respeito do quanto ainda podem resgatar esse relacionamento, trazendo mais doçura no contato com suas filhas e buscando organizar seus pensamentos e sentimentos com relação à maternidade. Mudanças paulatinas no comportamento, demonstrando confiança, reconhecendo a graça e a beleza desse momento de vida das meninas e se movimentando no sentido de ocupar um espaço que seja verdadeiramente seu, podem dar uma tônica mais salutar e amorosa na relação.Mudanças paulatinas no comportamento, demonstrando confiança, reconhecendo a graça e a beleza desse momento de vida das meninas e se movimentando no sentido de ocupar um espaço que seja verdadeiramente seu, podem dar uma tônica mais salutar e amorosa na relação.

É claro que devemos relativizar tudo o que foi dito: filhas podem se sentir mais confortáveis em escolher o pai como confidente sem que a mãe seja competitiva, elas podem sair juntas sem que se sintam constrangidas, mães podem fazer comentários sobre sua adolescência sem que isso signifique um lamento e podem se vestir como desejarem sem que isso queira dizer que estão entrando em rota competitiva com a filha. É a tensão que se estabelece na relação em função de certos comportamentos que vai denunciar se existe ali um problema.

aceitar o amor que existe entre abrem abre espaço para mudanças

Quando uma ou ambas se percebem nessa situação de tensão, uma alternativa é buscar o diálogo honesto, abrir o coração denunciando seus temores, seus sentimentos, suas dores, dúvidas, incertezas. O melhor é aceitar o amor que existe entre ambas para tornar possível a mudança. É bom também procurar ajuda profissional quando a insegurança para abordar o assunto for grande. É natural sentir-se confusa e não saber sequer por onde começar a falar, tal o emaranhado de sentimentos nessas circunstâncias.

Mães e filhas podem e devem reverter essas relações competitivas. Podem e devem ocupar cada qual seu papel natural na relação, e assim resgatar o amor e o alívio tão benéficos para seguirem em paz.

FONTE:http://www.personare.com.br/competicao-entre-maes-e-filhas-m6189

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