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O Processo do Luto

Atualizado em 08/03/2021
Por Mariana Wierman

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O Processo do Luto

A vida é um ciclo e possui muitas etapas. A morte talvez seja a mais difícil de compreender, pois não temos uma resposta “concreta”. E lidar com algo tão abstrato e subjetivo e ao mesmo tão intenso e real, não é nada fácil.

Para a maioria de nós a morte é sinônimo de perda, luto, tristeza. Mas essa situação pela qual todos passamos também é superação.

Todas as pessoas passam pelo processo do luto, o que varia é a intensidade que vivenciam esses sentimentos, e isso depende de muitos fatores, como personalidade, crença, sensibilidade, resiliência, etc. Por isso para uns a dor desse momento parece não ter fim, enquanto para outros, é mais rápido.

Vale salientar que, apesar de comumente relacionarmos o luto à morte de alguém, ele também pode ser vivenciado em outros tipos de perdas e mudanças intensas que acontecem na nossa vida, tais como: ir morar em outro país (deixando todas as pessoas queridas “pra trás”), o término de um relacionamento, a separação dos pais, perder o emprego… 

O luto é então atrelado a perdas e todo mundo passa por isso em algum momento, mas em diferentes níveis e intensidades. E é normal manifestarmos todas essas sensações, afinal, nosso emocional está reagindo.

Como qualquer outro sentimento, é preciso viver o luto, senti-lo e compreendê-lo, e assim, naturalmente vamos restabelecendo nosso equilíbrio emocional. Reprimir pode parecer bom num primeiro momento, mas traz ainda mais complicações num futuro não muito distante.

Mas o que é o luto de fato?

Podemos classificá-lo como uma angústia pela separação física de alguém que temos apreço e consideração. É um processo emocional frente a ausência e vazio causados, em geral, pela morte. Ainda que haja outras pessoas envolvidas na mesma dor, esse processo é individual, pois cada um tem a sua capacidade própria de interpretar e reagir a esse vazio e essa dor. 

Essa reação pode ocorrer através de manifestações físicas (choro, atitudes/gestos explosivos) e emocionais (tristeza, raiva, ira, apatia).

O luto pode ser visto como um reflexo da capacidade individual de lidar com situações de fragilidade.

Podemos entender que o luto é “normal” quando há um repertório de respostas saudáveis que possibilitam a expressão da dor da perda e leva à superação, ou seja, a pessoa é capaz de voltar à sua rotina. Por outro lado, quando esse processo acarreta uma série de sintomas físicos e mentais resultantes da incapacidade de se expressar ou fazê-lo de forma inapropriada, seguido por um isolamento ou período de negação prolongado, dizemos que esse luto é patológico.

As fases do luto

A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross identificou algumas etapas comuns de quem passa pela perda, que classificou como estágios do processo do luto, que são negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Cada estágio pode durar minutos, horas, dias, semanas ou meses, e não precisam ocorrer necessariamente nessa ordem. Também pode acontecer de voltarmos a um estágio que já havia sido superado, por exemplo, pode vivenciar a negação, a raiva, a barganha, voltar para a raiva…

Vamos entender então cada estágio, enumerados apenas para fins didáticos:

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1. Negação

No estágio da negação vivenciamos um sentimento avassalador, perdemos o chão, o mundo fica confuso, como se a vida não fizesse sentido. Ficamos em estado de choque, entorpecidos. É normal questionamentos do tipo “como conseguirei viver agora?”, “será que serei capaz de continuar?”, “nada mais faz sentido, porque deveria me esforçar?”. Simplesmente vemos o dia passar.

Mas são esses questionamentos a forma que encontramos para sobreviver. Eles mostram que entendemos a realidade (a perda) e começamos o processo de cura (ao se questionar você está buscando soluções, mesmo que de forma inconsciente).

2. Raiva

A raiva é energia, e se faz necessária para alcançar o reequilíbrio. Se permita sentí-la. A medida que você aceita esse sentimento, mais rápido irá se dissipar. Na revolta é comum sentirmos raiva de nós mesmos, da equipe médica, da família, do próprio ente que morreu e até de Deus. A raiva funciona como uma força, nos sustentando temporariamente.

3. Barganha/Negociação

Somos capazes de qualquer coisa para evitar esse momento. Se estamos numa situação de risco de vida com a pessoa querida, tentamos negociar com Deus: “Por favor, Deus, serei uma pessoa melhor se você simplesmente deixá-la viver.” 

Se já houve a perda, a barganha surge como uma mágica para o fazer acordar d um pesadelo. “Queria acordar e ver que era só um pesadelo, faria tudo diferente”. Entramos em imaginações sem fim…“ Se… então…” ou “E se…”. Desejamos voltar no tempo e fazer o possível para evitar o que aconteceu, mudar os fatos, ter previsto e evitado. Esses pensamentos podem nos colocar numa situação de culpa, “eu poderia ter evitado, mas não o fiz”. Buscamos falhas. Mas não temos bola de cristal, não podemos prever o que irá acontecer. E há também uma barganha com a dor, onde faríamos qualquer coisa para não senti-la. Estacionamos no passado buscando uma saída.

4. Depressão

Passado a fase da barganha (foco no passado), nos transportamos para o presente. A sensação de vazio se intensifica e o nível da dor é muito profundo, incomparável. Pode ocorrer a sensação de que essa dor jamais passará. 

Vale salientar que essa depressão do luto é normal, faz parte do processo, é uma resposta esperada, e não tem relação com o transtorno depressivo, porque é uma fase, possui um tempo definido, que varia de pessoa para pessoa, mas passa. Aos poucos as atividades diárias vão nos ocupando novamente.

5. Aceitação

O estágio de aceitação, como o nome diz, é a fase onde já aceitamos essa nova realidade sem a presença física daquele ente querido, e entendemos que as coisas serão diferentes. Porém, aceitar não quer dizer estar bem. Para a maioria das pessoas é difícil estar bem com esta situação, mas aprendemos a viver com isso, com a saudade.

Essas são as fases conhecidas do luto, mas, como já exposto, por tratar-se de um processo subjetivo, é importante salientar que algumas pessoas podem apresentar outras reações emocionais, chegando, inclusive, a reações psicossomáticas.

6. Superação

Numa sociedade que não nos prepara para a perda, e até mesmo taxa a expressão emocional como fraqueza, a psicoterapia ocupa um lugar importante nesse processo, oferecendo espaço para o paciente se manifestar e vivenciar a perda, a separação, reorganizar os pensamentos e sentimentos e começar uma readaptação saudável. Faz parte dessa reorganização a avaliação das preocupações, confiança e apoio, identificação de distorções cognitivas (que é uma visão distorcida das coisas) e desenvolvimento de novas habilidades. A dor do luto deve dar lugar à saudade, a uma memória afetiva agradável. Os pensamentos negativos devem reduzir até cessar.

E o que mais pode ajudar a superar o luto?

  • Dê tempo ao tempo;
  • Aceite seus sentimentos e saiba que o luto é um processo;
  • Expresse-se (conversas com alguém, desenho, escrita, arte, trabalhos manuais, formas de expressão corporal como dança, teatro…);
  • Não se isole, passe um tempo com amigos e familiares;
  • Cuide do corpo e da mente: exercite-se regularmente, coma bem e durma o suficiente, pratique técnicas de respiração, experimente fazer meditação;
  • Aceite seus sentimentos: esconder, evitar ou negar o que sente não lhe torna mais forte. Mas atente-se à maneira como irá fazer isso, buscando formas saudáveis, que não prejudique a si nem a terceiros;
  • Faça coisas que gosta;
  • Filtre seus pensamentos: busque repelir os conteúdos negativos que te fazem mal e foque em conteúdos edificantes. Cultive pensamentos positivos. Algumas estratégias que ajudam e que são facilmente incorporadas no dia-a-dia são o pote da gratidão, livros com mensagens afirmativas de leitura diária, listar pelo menos 3 coisas agradáveis que aconteceram ao longo do dia, relembrar suas forças e qualidades;
  • Aceite ajuda.

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Mariana Wierman, aqui no Blog.
Psicóloga formada pela UFJF, especialista em Terapia cognitivo-comportamental. Experiência na área de projetos sociais, incluindo crianças e adolescentes típicos e atípicos, e pós-graduanda em Neuropsicologia. Atendo crianças e adolescentes e sou apaixonada pelo que faço. É uma realização ver cada paciente e seu núcleo familiar bem, fortalecido, feliz! Adoro estar com minha família. Nas horas vagas gosto de estudar, fazer trabalho voluntário e assistir TV. Meu lugar preferido é perto do mar.

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