O desafio do xixi na cama

O desafio do xixi na cama

Atualizado em 09/06/2021
Por Mariana Wierman

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O desafio do xixi na cama

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Qual família não passa por esse dilema? O xixi na cama é uma queixa frequente e deixa muitos cuidadores de cabelo em pé. Então vamos saber o que é enurese, quando esse “fazer xixi na cama” merece mais atenção e como lidar com essa situação.

É normal no processo de desfralde ocorrer os “vazamentos” noturnos, ou mesmo durante o dia. As crianças ainda estão aprendendo a ter controle sobre o xixi e o cocô (controle esfincteriano). A criança está em fase de desenvolvimento, sua fisiologia está amadurecendo, à medida que tem maturação para determinadas funções, ela vai aprendendo e dominando. Mas lembre-se que é um processo, as crianças não dominam novas aquisições de uma hora para outra. 

Nesse artigo, vamos falar especificamente da enurese noturna, ou seja, a falta de controle urinário durante a noite.

Mas então, quando devemos nos preocupar com o xixi na cama?

Se a partir dos 5 anos de idade ocorre o xixi na cama no mínimo duas vezes por semana e isso ocorre há pelo menos três meses, dizemos que é um caso de enurese. Salientamos que, para crianças atípicas, deve-se avaliar outros fatores e não se prender à idade cronológica. 

Chamamos de enurese primária se a criança nunca atingiu o controle do xixi à noite, e enurese secundária caso já tenha tido o controle noturno por um período superior a seis meses e voltou a fazer xixi na cama. Neste último caso, normalmente a enurese está associado à um evento estressor, mas pode também ter causas biológicas quando da perda das funções de controle. Vale salientar que a enurese não é um quadro característico da infância, apesar de ser mais prevalente. Ela pode afetar também adolescentes e pessoas na vida adulta.

Agora que você já sabe o que é enurese, vamos entender como ocorre o controle urinário. Ele envolve três órgãos: o rim, a bexiga e o cérebro. O rim é responsável por “fabricar” o xixi, e funciona sem parar. Porém, durante a noite, sua produção é reduzida, por isso conseguimos ficar mais tempo sem ir ao banheiro. A bexiga armazena o xixi, para que possamos ir ao banheiro somente de “tempos em tempos”. Ela vai guardando até atingir sua capacidade, nesse momento precisamos esvaziá-la. Então sentimos vontade de fazer xixi. Nesse momento, nosso cérebro é “avisado” e nos dá o comando do que fazer. Se estamos acordados, ele nos manda ir ao banheiro, e se estamos dormindo, ele nos desperta e indica que precisamos ir ao banheiro.

No quadro de enurese pode ocorrer falhas nessa orquestra do sistema urinário. Uma hipótese é que os rins não diminuem o ritmo de produção à noite e continua trabalhando a todo vapor. Assim, o corpo continua produzindo muito xixi. Outra hipótese é que a bexiga pede para ser esvaziada antes de estar cheia, então, ao invés de ir ao banheiro uma única vez, você terá vontade de fazer xixi várias vezes, mas eliminará uma quantidade menor de urina. Até aqui vimos como possíveis explicações para o xixi na cama uma “pane” nos rins e uma na bexiga, mas sabemos que o cérebro também faz parte desse sistema. Uma terceira hipótese para o xixi na cama envolve, então, o chefão cérebro. Quando os pequenos têm um sono muito pesado, o cérebro recebe o aviso da bexiga mas tem dificuldade de acordar a criança. Sem conseguir despertar, e a bexiga estando no seu limite, precisando esvaziar, ocorre o xixi na cama, sem que o jovem perceba.

Claro que essas não são as únicas explicações, essa dificuldade no controle fisiológico também pode se dar por fatores genéticos ou outras condições, como distúrbios comportamentais ou psicológicos, problemas emocionais, manejo inadequado por parte dos pais ou responsáveis, etc. Há também condições clínicas que podem causar incontinência urinária, como uso de diuréticos, diabete, transtorno convulsivo, entre outros. Por isso, é aconselhável que, primeiro, procure-se um médico especialista para investigação e realização de exames.

A enurese é mais comum em meninos. Observa-se uma prevalência de duas a três vezes maior do que no sexo feminino, porém não se sabe a causa para essa incidência. Sabe-se também que se um dos pais teve enurese, 44% dos filhos poderão apresentar, e se ambos os pais passaram por isso, a ocorrência passa a ser de 77% dos filhos. Já para casos em que os pais não foram enuréticos, a incidência nos filhos é de apenas 15%. Há estudos que indicam que a enurese está presente em cerca de 6 a 10% das crianças com 7 anos de idade, e em 3% dos adolescentes.

Prevalência de enurese noturna em crianças de acordo com a idade

Idade% de enuréticos
5 anos16%
6 anos13%
7 anos10%
8 anos7%
10 anos5%
12 a 14 anos2 a 3%
= 15 anos1 a 2%

Além do acompanhamento profissional, há algumas atitudes que ajudam a lidar com a questão da enurese.

Primeiro é importante entender que ninguém tem culpa nessa questão do xixi na cama, nem a criança nem os adultos. E que o tratamento pode demorar, ou seja, esse problema não irá se resolver tão rápido quanto você gostaria, então tenha paciência, principalmente para administrar as frustrações, decepções e demais sentimentos desagradáveis que esse processo pode causar. Atente-se para o fato de que, mesmo não demonstrando, as crianças também ficam chateadas, tristes, e, muitas vezes, se culpam, precisando, assim, de apoio e atenção. O diálogo é sempre a melhor escolha. Ela também precisa entender que não tem culpa, precisa ser esclarecida, entender o que está acontecendo e também assumir sua parcela de responsabilidade no tratamento.

A enurese pode gerar uma série de “problemas” para as crianças e jovens. Além dos sentimentos desencadeados quando ocorrem os episódios de molhar a cama, essa situação pode afetar sua rotina e lazer, a criança ou adolescente pode, por exemplo, recusar dormir na casa de amigos ou convidar amigos para dormir na sua casa, ter um ritual ao acordar (como tomar banho e trocar a roupa de cama, ao invés de ir logo tomar café ou fazer alguma outra atividade), ter o sono interrompido uma ou várias vezes durante a noite com certa demora para voltar a dormir pois muitas vezes precisa tomar banho, trocar lençóis e pijama, e essa diminuição na qualidade do sono pode afetar seu humor, atenção, concentração, memória, aprendizagem, etc. Mesmo em viagens ou passeios em que precise passar a noite fora de casa, tem preocupações diferentes das outras pessoas, como levar mais roupas de dormir, verificar a estrutura do local. Normalmente há o medo do constrangimento. Muitas crianças escondem até dos irmãos para evitar zoações. E todo esse impacto social pode ocasionar culpa, prejuízo na autonomia, na autoestima, nas habilidades sociais, problemas de comportamento e de confiança.  Elas podem se sentir mal com sua situação, e até se acharem piores que os outros ou algo degradante. Podem se sentir culpadas ao verem os pais chateados por causa delas. Por isso é muito importante dialogar, acolher, ser empático com a criança. 

Muitas vezes os adultos ficam esgotados e acabam se expressando de forma inadequada, descontando na criança, mesmo sabendo que a culpa não é dela. Outras vezes os adultos não têm essa consciência, não são instruídos sobre a enurese, e culpam sim as crianças, como se elas fizessem xixi na cama apenas para irritar, ou por preguiça, ou acusam de não estarem se esforçando o suficiente. Isso, por sua vez, pode agravar ainda mais o quadro.

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Como vimos, a enurese não impacta somente a criança ou adolescente, mas todos do seu núcleo familiar. E afeta suas vidas de várias formas, a nível emocional, financeiro, tempo demandado…

Para acompanhar o quadro de enurese é interessante que se faça um registro, tanto pelos pais quanto pelas crianças, afinal elas precisam participar efetivamente de todas as etapas desse processo. Através desse registro será possível conhecer melhor o problema, verificar de fato a frequência do xixi na cama, a intensidade, observar fatores que podem influenciar e acompanhar a evolução, os resultados dos esforços.

Para a criança, faça um calendário onde ela terá que marcar todos os dias como foi sua noite, se fez xixi na cama ou não. Para ficar mais atrativo, faça um calendário usando um tema que a criança goste, e para marcar use carimbo, adesivo, desenho… basta definir o que representará “não fazer xixi na cama “ e “fazer xixi na cama”, pode ser algo associado a seco e molhado, como sol e chuva, por exemplo.

O adulto deverá fazer um registro mais detalhado, que conste horário aproximado do xixi (usar referências, prestar atenção, quando fizer as checagens, aos horários que conferiu, anotar esses horários para ter uma referência), quantidade de xixi (se molhou apenas o pijama, o tamanho da mancha no lençol, se vazou no colchão, etc.), se a criança acordou sozinha (pedir à criança para avisar, pela manhã, caso tenha ido ao banheiro durante a noite), o local (em casa, na casa dos avós – se pais separados, cada um deverá fazer os registros durante os dias em que estiver com a criança). Faça também observações como quantidade de líquido ingerido durante o dia e idas ao banheiro, alterações no comportamento, se no dia aconteceu algo diferente, se mudou algo na rotina, pessoas de fora passando a noite – mesmo que familiares próximos mas que residem em outra casa -, se a criança mudou de cama (local de dormir) durante a noite, após molhar onde estava, etc.

Outras coisas que devem ser feitas para ajudar com a enurese são: verificar as condições do banheiro e fazer adaptações, se for o caso, definir a hora de dormir e cumprir esse horário todos os dias, conversar sempre, prestar atenção ao funcionamento do intestino, elogiar sempre que a criança acordar seca e, claro, não chamar atenção ou esboçar descontentamento quando ela fizer xixi na cama, não usar fraldas, após o fim da tarde não ingerir refrigerante, chá, suco de laranja, limonada e leite achocolatado, ir ao banheiro antes de dormir, não trocar de cama durante a noite. 

A criança deve ter responsabilidade para seguir essas orientações, e o adulto deve orientá-la para que ela entenda tudo que está acontecendo. A responsabilidade faz parte da aquisição de autonomia, habilidade importante no controle da urina.

Essas dicas podem ajudar no manejo da enurese, mas não substituem o acompanhamento profissional. Alguns casos são preciso uma intervenção medicamentosa. Mas chegar até aqui já é um grande passo!

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Referências bibliográficas:

Emerich, D.R., Braga-Porto, P.F. & Silvares, E.F.M. Enfrentando o xixi na cama. (2014). São Paulo: Memnon.

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Mariana Wierman, aqui no Blog.
Psicóloga formada pela UFJF, especialista em Terapia cognitivo-comportamental. Experiência na área de projetos sociais, incluindo crianças e adolescentes típicos e atípicos, e pós-graduanda em Neuropsicologia. Atendo crianças e adolescentes e sou apaixonada pelo que faço. É uma realização ver cada paciente e seu núcleo familiar bem, fortalecido, feliz! Adoro estar com minha família. Nas horas vagas gosto de estudar, fazer trabalho voluntário e assistir TV. Meu lugar preferido é perto do mar.

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