Por que nos desmotivamos?

Atualizado em 29/07/2015
Por Nayara Benevenuto

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Por que nos desmotivamos?

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Sentir-se desmotivado é comum a todas as pessoas, por vezes não nos vemos dispostos a realizar uma tarefa, terminar um curso ou investir em alguma relação, entre outras coisas que abrimos mão por não conseguirmos desprender energia o suficiente para realizar o necessário. Mas por que isso acontece?

A motivação humana foi explicada por Bandura, psicólogo social, como sendo o resultado de três aspectos básicos da cognição: auto conceito, crença de auto eficácia e expectativas de resultado. O auto conceito é a forma como nos vemos, o valor que atribuímos a nós mesmos, o quanto nos achamos “bons”. Já a crença de auto eficácia é especifica à atividade em questão, diz respeito ao quanto nos sentimos capazes de realizá-la. Sendo assim, estão interligadas, partindo de uma mesma percepção básica, mas não são a mesma coisa. Uma pessoa pode se considerar boa em trabalhos manuais (auto conceito), porém não se vê capaz de pintar determinado quadro (crença de auto eficácia).

Outro ponto fundamental no tripé da motivação é a expectativa de resultado, sendo necessário que os resultados alcançados sejam estímulos fortes o suficiente para que a pessoa desenvolva a atividade. Dessa forma, a pessoa precisa se sentir boa na área, capaz de executar a tarefa e ter ganhos significativos com a realização da atividade. Para Bandura, o auto conceito é formado ao longo da vida, como uma visão pessoal sobre suas capacidades e limitações. A crença de auto eficácia pode ocorrer por: experiências passadas (tentativas e erros), experiências vicárias (observando os resultados e comportamentos alcançados pelos outros), persuasão verbal (através de estímulos verbais) e estados fisiológicos (os estados fisiológicos, como a ansiedade por exemplo, podem deixar a pessoa mais vulnerável frente à atividade). Os behavioristas apontam ainda que os resultados atingidos são capazes de reforçar (positiva ou negativamente) o comportamento emitido, de forma que a pessoa se sinta mais ou menos motivada para repeti-lo em uma próxima situação.

Muitas vezes esse mecanismo não se dá de forma consciente, partindo do processamento automático de informação, que realizamos em nossa interação com o mundo. O auto conhecimento e a auto análise nos ajudam a identificar os principais empecilhos em nossas tarefas, a baixa motivação e ansiedade, que muitas vezes nos fazem desistir ou protelar objetivos importantes. Em casos em que a desmotivação se torna patológica e traz prejuízos, a ajuda profissional pode ser fundamental no enfrentamento desse problema.

A terapia cognitivo-comportamental busca identificar as principais crenças do paciente, o auto conceito e distorções relevantes que podem fortalecer essas percepções disfuncionais. Através da reestruturação cognitiva tentamos desenvolver crenças mais coerentes e saudáveis, para que assim o indivíduo possa enfrentar situações antes evitadas e reorganizar suas ações, tornando-se mais ativo e orientado em suas atividades importantes.

Autor: Auxiliatrice Caneschi Badaró

Psicóloga pela UFJF

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Terapeuta cognitivo-comportamental pela ATC – Rio

Especialista em terapia cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes pelo NEISME – JF

Mestre em Psicologia pela UFJF

Terapeuta cognitivo-comportamental na Casule Saúde e Bem-estar – JF

Professora de Psicologia em FAGOC – Ubá

Membro do NEVAS (Núcleo de estudos em violência e ansiedade social)

Principais áreas de atuação: psicologia clínica com adultos e adolescentes, psicologia social, estudos em ansiedade social, crenças cognitivas e depressão.

Lattes:  http://lattes.cnpq.br/6252008844202195

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