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Atualizado em 22/01/2020
Por Danilo Uba

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Seus familiares, amigos ou companheiro(a) estão sempre dizendo que você se estressa demais? Ou você mesmo já se pegou dizendo algo do tipo: “eu vivo estressado”, “tudo me estressa”? A sensação de que mesmo as situações mais simples acabam se tornando um desafio a ponto de causar uma reação de stress. 

Talvez você nem consiga identificar o que pode ser a causa de tanto estresse, pois parece que ele está em todo lugar. O que muitas pessoas não percebem é que a fonte pode estar dentro delas mesmas, como se fosse uma fábrica de produzir estresse, onde o principal combustível são os pensamentos, ou melhor, a forma de pensar e interpretar, muitas vezes negativa, exigente e crítica, advinda de valores e crenças rígidas disfuncionais. 

A tensão que vem de dentro pode ser até pior que problemas externos. Auto cobranças e auto críticas excessivas, expectativas irrealistas, julgamentos, preocupações, são alguns exemplos que podem sobrecarregá-lo e levar a um esgotamento emocional e mental.

Mas, o que é o Estresse?

O termo Estresse é muito usado nos dias atuais e com isso acabou por ter vários significados. Muitas pessoas confundem, por exemplo, o estresse com emoções e ao invés de dizer “estou brava”, “Irritada”, “frustrada”, diz “estou estressada”. Na realidade, o estresse não é uma emoção e sim um estado de tensão que causa uma quebra no equilíbrio interno do organismo devido a uma necessidade de adaptação a uma situação. 

Normalmente, nosso corpo funciona em perfeita sintonia. Cada órgão cumpre sua função e têm seu próprio ritmo, e, no geral, existe um equilíbrio entre eles, que é chamado de homeostase. No entanto, quando deparamos com qualquer situação que exija uma adaptação, o estresse ocorre e esse equilíbrio interno se rompe, cada órgão, então, passa a trabalhar em um ritmo diferente para poder lidar com o problema. 

Como faz parte da nossa natureza a busca pelo equilíbrio, é feito um esforço especial para se restabelecer a homeostase interior. Esse esforço às vezes exige um considerável desgaste e utilização de reservas de energia física e mental. 

A simples reação de estresse não é em si mesma negativa ou danosa ao organismo, na realidade, o stress é vital para que possamos sobreviver e responder ao ambiente de forma adaptativa. Os efeitos potencialmente perigosos se dão quando essa reação ocorre de maneira inadequada, podendo prolongar o estado de stress trazendo consequências físicas e psicológicas.

Abaixo alguns exemplos de sintomas do estresse:

  • Psicológicos: esquecimento de coisas corriqueiras; falta de concentração; irritabilidade excessiva; vontade de sumir de tudo; sensação de incompetência; pensar em um só assunto; sentir que nada mais vale a pena; pensamentos distantes e conturbados, etc.
  •  Físicos: tensão muscular; azia sem causa aparente; distúrbio do sono; cansaço excessivo; dores musculares; dor de cabeça; queda de cabelo em excesso; Imunidade baixa, etc. 

Criando estresse com o pensamento

O estresse não necessariamente é causado só por fontes externas negativas, como por exemplo, enfrentar uma ameaça, lidar com a perda de um emprego, dificuldades financeiras, problemas familiares, etc. Mas, muitas vezes o modo como interpretamos determinados eventos, o modo como pensamos sobre as situações, o mundo, as pessoas e sobre nós mesmo, podem gerar e até piorar nosso estado de stress.

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A reação positiva ou negativa é motivada pelo tipo de interpretação que se faz da situação. A ideia central é que nossos pensamentos sobre um evento ou experiência influenciam fortemente nossas respostas emocionais, comportamentais e físicas.

Por exemplo, imagine-se que você precise ir ao banco. Você entra, pega a sua senha do caixa, olha ao redor e percebe que a fila está bem grande e você é o último, logo você pensa “Isto vai demorar. É melhor eu me distrair e relaxar”. Então, você pega o celular e entra nas suas redes sociais para se distrair enquanto espera a sua vez. Provavelmente seu corpo irá relaxar e você se sentirá calmo.

Agora imagine a mesma situação, porém, ao perceber o tamanho da fila você pensa “odeio ir ao banco, sempre é assim, lotado, é uma perca de tempo, um desrespeito com o cliente”. Você, então, provavelmente se sentirá perturbado e irritado, seu corpo ficará tenso e inquieto, e talvez você até se queixe com algum funcionário. E, muito provavelmente, irá confirmar sua ideia de que ir ao banco é muito estressante, podendo se sentir assim novamente em situações semelhantes.  

Note que no primeiro exemplo o nível de estresse experimentado provavelmente foi baixo e no segundo muito maior, apesar das situações serem idênticas. A principal diferença foi na maneira como a situação foi percebida. No primeiro caso você não avalia como uma ameaça, mas como algo natural, é comum ter filas em banco, e logo se adapta, já no segundo liga o alerta, como se fosse algo pessoal, um desrespeito, intensificando e prolongando a reação de estresse. 

Para toda situação que lidamos é comum avaliarmos o grau de desafio assim como nossas possibilidades de enfrentá-la. As crenças que se tem sobre a capacidade de se adaptar a uma situação vão ter grande influência sobre o desencadeamento ou não da reação de estresse. Quanto mais seguro estiver das suas capacidades de enfrentamento, maior o senso de auto eficácia e menor a necessidade de modificar o equilíbrio interno (homeostase) e, consequentemente, menor a reação de estresse.  

Lidando com o fatores internos 

Segunda a psicóloga Dra. Marilda Lipp, as estratégias de controle do estresse divide-se em 2 tipos: 

  • Curto prazo:  visam a redução do sintomas através de técnicas de controle da respiração, relaxamento físico e mental, alimentação e exercícios físicos.  
  • Longo prazo:  buscam eliminar ou gerenciar as causas do estresse, são as que realmente resolve o problema. Envolve Identificar a fonte estressora, analisar quais podem ser gerenciadas ou eliminadas e tomar medidas para tal, aprender a lidar com o que não pode ser mudado ou eliminado, reestruturar seus pensamentos causadores de tensão e aprender a regular as emoções.   

Abaixo temos alguns exemplos das principais fontes internas geradoras de estresse: 

  • Pensamentos Rígidos 
  • Valores antigos fora da realidade atual
  • Expectativas impossíveis de serem preenchidas
  • Negativismo, pessimismo, mau humor
  • Não saber dizer “não” a demanda dos outros
  • Ansiedade
  • Competitividade constante 
  • Pressa
  • Dificuldade de perdoar e esquecer o passado
  • Perfeccionismo
  • Pensamentos obsessivos
  • Insegurança
  • Egoísmo
  • Raiva
  • Auto cobrança exagerada
  • Auto crítica constante

Identifique se algumas delas está presente em você. Procure entender de que forma elas te atrapalham. Reflita por alguns momentos sobre suas prioridades e aquilo que realmente importa na sua vida. Proponha algumas mudanças de atitudes. 

Um dos pontos mais importantes que se deve observar para aprender a lidar com o estresse é justamente conseguir perceber e eliminar algumas fontes de estresse que estejam ao nosso alcance. Algumas vezes o simples fato de tomar consciência daquilo que nos limita é suficiente para conseguir mudar. Mas, quando se trata de aspectos muito rígidos e duradouros talvez isto seja um desafio, e a ajuda de um psicólogo se torna necessária. 

Fontes:
Lipp, M. E. N. (2000). O stress está dentro de você. São Paulo: Contexto,Lipp, M. E. N. (2005). O stress e o turbilhão da raiva. São Paulo: Casa do psicólogo.

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