Diagnóstico-diferencial-entre-Transtorno-Bipolar---Blog-Casule---psicóloga-Nayara

Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline

Atualizado em 18/02/2019
Por Nayara Benevenuto

Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline

Atualizado em 18/02/2019
Por Nayara Benevenuto
Junte-se a milhares de pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline

O transtorno bipolar e o transtorno de personalidade borderline apresentam características clínicas semelhantes que frequentemente tornam difícil e complexo fazer seu diagnóstico diferencial, podendo implicar em indicações terapêuticas inadequadas. Antes de entendermos as diferenças dos critérios diagnósticos, faz-se necessário entender as características clínicas de cada transtorno.

O transtorno de personalidade borderline se caracteriza por um padrão de instabilidade e desregulação emocional, cognitiva e comportamental em diversos âmbitos da vida do indivíduo (Barlow, 2016; Linehan, 2010). Para Linehan, a disfunção do sistema de desregulação emocional é a patologia fundamental, mas não definidora do transtorno.

Para ele, a desregulação emocional é um produto da combinação da vulnerabilidade emocional (alta sensibilidade aos estímulos emocionais) e dificuldades para modular reações emocionais (Linehan, 2010). Nos pacientes borderline, a desregulação emocional é marcada pela instabilidade emocional e dificuldades para lidar com sentimentos de raiva, frustração e hostilidade. 

A desregulação interpessoal se dá também no aspecto interpessoal, os relacionamentos podem ser difíceis, intensos, conflituosos e marcados pelo medo do abandono, na verdade, há um grande esforço para impedir uma possível rejeição (tendem a fazer de tudo pelo parceiro). No entanto, mesmo sem a intenção, acaba aumentando ainda mais a probabilidade que o abandono ocorra, na medida que muitos se comportam de forma ciumenta, obsessiva e dependentes de seus parceiros, por exemplo.

Do ponto de vista comportamental, também há disfuncionalidades apresentadas por comportamentos impulsivos, muitas vezes autoagressivos ou excessivos, como o uso abusivo de álcool e drogas, por exemplo. Talvez seja esse o ponto mais preocupante – a alta incidência de comportamento suicida em pacientes borderline. Há ideação suicida, ameaças de suicídio e até mesmo histórico de tentativas de suicídio. Há também comportamentos de autoagressão não suicida (automutilação, por exemplo), tudo isso contribui para o surgimento e manutenção de humor negativo diário (Barlow, 2016; Linehan, 2010). 

A desregulação cognitiva se dá por formas breves e não psicóticas de distúrbios cognitivos, como despersonalização, dissociação e delírios que geralmente passam quando o estresse diminui. Geralmente, o pensamento é muito rígido e dicotômico, característica marcante da personalidade borderline (Linehan, 2010). 

Também é comum o sentimento de vazio, baixa autoestima, demonstrando uma autoimagem negativa e self instável, corroborando com a ideia de Grotstein (1987) que indivíduos com personalidade borderline possuem um transtorno global da regulação e da experiência de self. Na prática clínica, é comum os pacientes se queixarem de um sentimento crônico de vazio, medo intenso de ficar só e perturbação da identidade.

terapia-online-casule-banner

Já o transtorno bipolar, embora seja uma doença crônica, não é um transtorno de personalidade. Segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, DSM -5, o transtorno bipolar é caracterizado por uma desregulação do estado de humor, que oscila entre o extremamente baixo – depressão – ao extremamente alto – mania e/ou hipomania. Um paciente que se encontra em episódio depressivo maior pode apresentar perda de interesse/prazer por quase todas as atividades durante pelo menos duas semanas; alterações no apetite ou peso, no padrão de sono e atividade psicomotora; diminuição da energia; sentimento de culpa e/ou desvalia; dificuldade para pensar ou concentrar-se ou tomar decisões; pensamentos recorrentes sobre a morte, ideação, planos ou mesmo tentativas suicidas (APA, 2014). 

No polo oposto, o paciente em estado maníaco pode apresentar humor elevado, eufórico e irritável. O comportamento é marcado por ser excessivo, ele passa a fazer diversas atividades de alto risco; reduz drasticamente a necessidade de sono; tem delírios por grandiosidade ou autoestima inflada; apresenta fuga de ideias ou pensamentos acelerados; sua atenção é desviada muito mais facilmente por estímulos externos insignificantes e, também, há um aumento da loquacidade (pressão por falar). Ressalte-se que, para diagnosticar um episódio maníaco, deve haver graves prejuízos no funcionamento psicossocial do paciente. 

O DSM-5 faz distinção entre o transtorno bipolar de tipos I e II, sendo o tipo I caracterizado pela presença de episódios maníacos ou mistos sindrômicos completos e, no tipo II, haver pelo menos um episódio depressivo maior e um episódio hipomaníaco.

Para pensar no diagnóstico diferencial, o primeiro ponto é diferenciar que borderline é um é transtorno de personalidade e bipolar é um transtorno de humor, ou seja, um começa desde a infância, está relacionado ao modo característico como a pessoa se comporta e pensa. No transtorno de personalidade borderline, nota-se prejuízo na vida da própria pessoa com o transtorno, ou o mais comum, prejuízo maior na vida de outros que convivem com a pessoa. Já no transtorno bipolar, não há transtorno na estrutura de sua personalidade. 

A instabilidade no transtorno de personalidade borderline se dá em todos os aspectos da vida da pessoa, enquanto que no transtorno bipolar, a instabilidade fica restrita ao humor – mais rebaixado ou mais elevado.

Quando o paciente tem transtorno bipolar com fases bem marcadas, tanto de depressão, quanto de hipomania, facilita no diagnóstico. Mas fica mais complexo se o paciente for bipolar e estiver em estado de hipomania, pois ele pode apresentar sintomas semelhantes ao transtorno de personalidade borderline – impulsividade, mudança de humor, compulsão, irritabilidade, alterações de sono, por exemplo. Nesse caso, é importante investigar um pouco mais da história do paciente, colher mais dados antes da hipótese diagnóstica. Uma pergunta que pode ser feita é: “a pessoa sempre foi assim ou ela tem se comportado dessa forma nos últimos tempos?”

Outra opção é investigar a presença de sintomas psicóticos (mais frequentes no transtorno bipolar), a autoestima, a regulação do self e observar e analisar a relação terapêutica estabelecida com o paciente no decorrer do tratamento. Pacientes borderline geralmente costumam ir de um extremo ao outro, da idealização à frustração. Isso provavelmente irá ocorrer com o próprio profissional.

Referências:





APA (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed.


Barlow, D.H. (2016). Manual clínico dos transtornos psicológicos. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed.


Grotstein, J.S. (1987). The borderline as a disorder of self-regulation. Hillsdale: The Analytic Press.
  
Linehan, M. (2010). Terapia cognitivo-comportamental para transtorno da personalidade borderline: guia do terapeuta. Porto Alegre: Artmed.

Guia com as 15 Técnicas para reduzir a ansiedade
Casule Play

Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline

Se você quiser saber mais ou conversar com um dos nossos profissionais sobre Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline, você pode  agendar o seu horário clicando aqui. Ou você pode ver mais sobre Terapia Online, Acompanhamento semanal com nossa Nutricionista ou Como ter mais produtividade com o nosso Coach!
Nayara Benevenuto, aqui no Blog.
Especialista em terapia cognitiva-comportamental com adultos e tem formação em terapia cognitiva sexual além de atuar na avaliação bariátrica. Conheça o meu Instagram. | Clique para marcar uma consulta comigo

O que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários sua opinião sobre: Diagnóstico diferencial entre Transtorno Bipolar e Transtorno de Personalidade Borderline.

0 comentários

Meu medo me faz fugir
Meu medo me faz fugir

Meu medo me faz fugir

Evitar se expor a situações que causam medo e ansiedade é algo extremamente normal. Porém, quando a "evitação" e a fuga se tornam um repertório comum para várias situações... é importante ligar o sinal de alerta.

Controlando sua Ansiedade

Ansiedade é uma reação emocional desencadeada pela percepção de uma ameaça – real ou imaginária. Nosso corpo pode responder a esse estado de diversas maneiras e cada uma delas é única e exclusiva de cada pessoa!
Leia mais
Controlando sua Ansiedade

Saiba quais alimentos evitam a acne

Certos hábitos alimentares inadequados quando associados a outros fatores, podem provocar um aumento da oleosidade da pele que desencadeiam processos inflamatórios.
Leia mais
alimentos-que-evitam-a-acne-BLOG

Dicas para uma vida mais leve

Diferente do que muitos acreditam, ter uma vida leve não significa não ter problemas ou adversidades, mas sim, aceitar que vão haver obstáculos no meio do caminho e tentar lidar com eles dá melhor forma possível. Confira algumas dicas para levar uma vida mais leve nesse texto.
Leia mais
dicas para uma vida mais leve

5 dicas para manter uma boa saúde mental

Diante de um cenário cada vez mais competitivo, manter uma boa saúde mental no dia a dia do trabalho não é fácil, o estresse, o esgotamento mental e a pressão psicológica podem trazer várias consequências ruim para sua saúde mental e física. Neste vídeo vamos aprender 5 dicas fáceis de como aliviar o estresse do dia a dia e manter uma boa saúde mental diante da pressão do trabalho.
Leia mais
Tenha o total controle das suas emoções conte com a Casule para o seu bem-estar.
Share This