Depressão Infantil

Depressão Infantil

Atualizado em 23/06/2017
Por Nayara Benevenuto

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Depressão Infantil

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que a depressão está aumentando em todo o mundo e agora já é a principal causa de incapacidade mental e física global. Esse cenário preocupante também atinge as crianças e os adolescentes, embora as pessoas ainda vejam a infância de forma romântica, como um período apenas de alegria, descobertas e encantamento. No entanto, a realidade tem se mostrado um pouco menos otimista: a prevalência de depressão na população geral de crianças e adolescentes oscila entre 0,3 a 5,9%, um número alarmante.

Manifestações dos Sintomas

Segundo a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), os critérios diagnósticos são essencialmente os mesmos para as crianças, adolescentes e adultos, exceto pela inclusão de dois sintomas: presença de humor irritável e maior tendência para o ganho de peso, ao invés de perda de peso nas crianças e adolescentes. Os sintomas principais costumam variar com a idade, conforme mostra a figura abaixo:

Antes da expressão da linguagem verbal, uma criança deprimida manifesta-se pela expressão facial, postura corporal e mudanças de comportamento. Tais sintomas incluem quando a criança recusa alimentos, não responde aos estímulos do ambiente, apresenta choro frequente, explosões de raiva e inquietação.

Já na fase pré-escolar os sintomas incluem apatia, tristeza, pesadelos, queixas somáticas, enurese, medo de ficar sozinha, perda de interesse por lazer, desânimo, recusa de alimentos, choro fácil, autoagressividade e irritabilidade.

Na fase escolar, a criança expressa mais facilmente o que sente, facilitando a hipótese diagnóstica. Os sintomas mais comuns incluem baixo rendimento escolar, pouca concentração, problemas de relacionamento com os colegas, agressividade, apatia, choro sem motivo aparente, isolamento social, raiva, baixa autoestima, queda do rendimento escolar e presença de pensamentos mórbidos e de morte.

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Comorbidades

A depressão infantil costuma apresentar altas taxas de comorbidades com os transtornos de ansiedade, de conduta, desafiador opositivo e de déficit de atenção. A presença de tais patologias costuma indicar uma evolução mais grave e um prognóstico pior.

Etiologia

A causa da depressão infantil reside na interação de aspectos ambientais, físicos, sociais, pessoais, biológicos e psicológicos. Podem-se destacar alguns fatores de risco associados ao aparecimento da depressão infantil, como o histórico familiar de depressão, ocorrência de um fator traumático (abuso, acidentes), separação dos pais, mudanças na vida da criança (mudança de casa, colégio, cidade), conflitos familiares, morte de uma pessoa querida ou animal de estimação, padrões de interação familiar com forte padrão de cobrança, negligência e desorganização familiar.

Faz-se necessário destacar que embora a genética seja um fator importante, ela não é determinante no aparecimento da patologia.  Já o apoio familiar, sucesso na vida escolar, suporte social, auto-percepção positiva, envolvimento em atividades extracurriculares, estilos parentais e práticas educativas adequadas, ambiente familiar repleto de apoio e amor, e necessidades emocionais satisfeitas pela família são fatores protetivos.

Como pensam as crianças deprimidas

Com a depressão, a criança tem uma visão negativa, depreciativa e derrotista de si mesma, das experiências e do futuro.  Tudo parece estar ruim, chato e fazer suas atividades corriqueiras passa a ser muito penoso para ela. Assim, a partir desses pensamentos distorcidos, a criança assume uma postura rígida e passa a ver tudo através dessa “lente” negativa e irrealista.

Os pensamentos distorcidos mantêm e prolongam a depressão, de tal modo que a criança os encara como verdade absoluta. Na terapia cognitivo-comportamental, é ensinado à criança uma forma de identificar, testar e modificar esses pensamentos e crenças.

Exemplos de distorções de pensamentos:

  • “sou a pior filha do mundo”;
  • “ou fecho a prova ou sou burra”
  • “estão rindo de mim” quando a criança vê vários coleguinhas cochichando e rindo;
  • “ninguém gosta de mim”
  • “meus pais estão se separando por minha causa”
  • “meu pai prefere meu irmão mais velho porque ele é mais inteligente”

Tratamento

O tratamento da depressão infantil está baseado em quatro pilares: psicoterapia cognitivo-comportamental infantil; medicamentos antidepressivos; intervenções na escola e orientação familiar. A terapia tem por objetivo alterar as cognições negativas, melhorar a autoestima, treinar as habilidades de enfrentamento dos problemas e situações difíceis, aumentar o envolvimento da criança em atividades prazerosas e recompensadoras.

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