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Automutilação – quando o machucar-se vira um grito de socorro

Atualizado em 03/04/2018
Por Suelen Tebaldi

Automutilação – quando o machucar-se vira um grito de socorro

Atualizado em 03/04/2018
Por Suelen Tebaldi
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Automutilação – quando o machucar-se vira um grito de socorro

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Longe da vista dos outros, no refúgio do quarto ou do banheiro…auto lesões praticadas repetidamente não têm a intenção de chamar a atenção, representam antes uma expressão de grande mal-estar interno, como forma de aliviar fisicamente a dor que é psicológica e emocional.

A automutilação é definida como qualquer comportamento, intencional, envolvendo agressão direta ao próprio corpo, sem intenção suicida e por razões não socialmente ou culturalmente compreendidas. Esta definição exclui tatuagens, piercings e danos não intencionais ao próprio corpo.

As formas mais frequentes de automutilação são: cortar a própria pele com facas, lâminas e tesouras; bater-se ou chicotear-se; arranhar-se ou queimar-se; furar-se com agulhas, canetas, pregos; apertar ou reabrir feridas; enforcar-se por instantes. Essas lesões, normalmente em áreas mais escondidas do corpo, como braços, pernas, coxas e abdômen, podem variar de superficial a moderada, mas em geral não há intenção de provocar a própria morte ou lesões mais graves.

Geralmente a pessoa que se automutila possui uma autoestima baixa e apresenta problemas ao nível das relações interpessoais, tendendo, por isso, afastar-se da família e dos amigos. O automutilador tende a revelar grandes dificuldades na expressão verbal e não consegue manifestar as suas emoções, pelo qual não fala com os outros sobre as suas angústias e problemas. Muitos deles ferem-se como forma de autopunição, por sentirem-se fracassados e inúteis. É um comportamento que a pessoa não consegue controlar. Logo após a crise, em que o automutilador se fere ou apresenta comportamentos agressivos, permanece o sentimento de culpa, arrependimento e fracasso.

A automutilação é mais comum do que pensamos, especialmente porque as pessoas que se machucam costumam esconder seus ferimentos por vergonha ou medo. Ainda que possa acontecer em qualquer etapa da vida, é mais comum na adolescência, principalmente entre as meninas.

Embora possa parecer estranho, a automutilação entre os jovens pode ocorrer como uma espécie de “moda”, quando alguém no grupo de pares experimenta fazê-lo e acaba por ser seguido pelos outros. Sendo uma experiência dolorosa, a maioria dos adolescentes acaba por interromper o comportamento. No entanto, quando a automutilação persiste, geralmente é porque estamos perante um jovem que vive um grande sofrimento psicológico, que busca na dor do corpo uma “justificativa” para a dor emocional.

 

Causas

 

Na maioria dos casos, as pessoas se machucam para ajudá-las a lidar com questões emocionais insuportáveis, que podem ser causadas por:

            Problemas sociais – tais como ser intimidado, ter dificuldades no trabalho ou na escola, ter relacionamentos difíceis com amigos ou familiares, entrar em acordo com a sua sexualidade (homo ou bissexualidade) ou lidar com expectativas culturais, como um casamento arranjado;

            Trauma – como abuso físico ou sexual, a morte de um familiar ou amigo próximo, ou ter um aborto;

            Causas psicológicas – repetidos pensamentos negativos e depreciadores, sentimentos difíceis (por exemplo, angústia, ansiedade, stress, tristeza), episódios de dissociação (perder o contato com quem você é ou seu ambiente); depressão, bulimia, anorexia, bullying, entre outros.

 

O abuso de substâncias também pode ser considerado uma das causas. Ao usar uma droga a pessoa até pode inibir o contato com as emoções negativas (que diminuiria a necessidade de se flagelar), mas também pode aumentar sua impulsividade e levar a uma maior probabilidade de se ferir.

 

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Sinais de alerta

 

No caso dos adolescentes, os pais devem ficar atentos a alterações comportamentais que podem lançar suspeitas sobre a automutilação, como a presença de cicatrizes ou uso de roupas compridas em períodos de calor; pequenos arranhões que aumentam de frequência; pedidos constantes de substituição de apontadores e objetos cortantes de uso escolar; isolamento; desinteresse por atividades antes praticadas;  retraimento social e bullying.

Adolescentes que se automutilam desejam relações de proximidade e segurança, mas temem profundamente a rejeição e abandono. Algumas vezes, por não saber o que fazer, a família acaba invalidando as emoções que ele relata.  Por isso, é importante permitir que ele fale sobre o assunto.

 

Tratamento

 

Já que a automutilação pode ter muitas causas, uma avaliação consistente é necessária para garantir que a pessoa que se fere encontre tratamento adequado para seu sofrimento.

Como esse comportamento é frequentemente usado como um mecanismo para lidar com pensamentos e sentimentos negativos, o acompanhamento com um psicólogo é essencial para ajudar essas pessoas a darem nome às suas emoções, a identificarem formas saudáveis e adequadas de lidar com os seus problemas e angústias, a aumentarem a autoestima e aprenderem a gostar de si mesmas.

A psicoterapia, mais precisamente a Terapia Cognitivo Comportamental, visa ajudar o paciente a procurar outras formas de lidar com as suas frustrações, desenvolvendo estratégias mais adaptadas para reagir ao estresse mental, assim como modificar estilos de pensamentos negativos. Quando necessário, a medicação se mostra eficaz no alívio dos sintomas depressivos e ansiosos e na diminuição da impulsividade. No entanto, o tratamento farmacológico não se mostra eficaz como tratamento isolado para automutilação, devendo estar sempre associado a um tratamento psicológico.

 

Fontes:

 

www.oficinadepsicologia.com/automutilacao-sofrer-para-viver/

www.gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2017/04/suicidio-de-jovens-casos-de-automutilacao-sao-frequentes-e-acendem-alerta-9775605.html

www.psicoajuda.pt/psicologia-adolescentes/automutilacao-disturbio-do-comportamento/

www.plin.net.br/2016/12/02/automutilacao-em-adolescentes-como-ajudar/

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Psicóloga, terapeuta cognitiva comportamental, apaixonada pela escuta e pelo relacionamento com as pessoas. "Psicóloga da família" desde pequena, vive e ama essa profissão e todos os seus desafios. Conheça o meu Instagram. | Clique para marcar uma consulta comigo

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