A-terapia-Cognitivo-Comportamental-para-o-tratamento-do-Transtorno-Obsessivo-Compulsivo-blog-casule

A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo

Atualizado em 17/02/2020
Por Danilo Uba

A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo

Atualizado em 17/02/2020
Por Danilo Uba
Junte-se a milhares de pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade

A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é considerado um transtorno mental grave, com alta prevalência na população mundial, estimada entre 1,1% a 1,8%, sendo o quarto diagnóstico psiquiátrico mais comum.  Afeta predominantemente indivíduos jovens, com os sintomas aparecendo na adolescência e muitas vezes ainda na infância, com menor frequência após os 20 anos e dificilmente surge após os 40 anos. No Brasil estima-se que exista entre 3 e 4 milhões de pessoas acometidas pela doença.

Atualmente, na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM-5), o TOC está classificado entre os Transtornos Obsessivo-Compulsivos e Relacionados, onde se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões as quais consomem um tempo significativo do indivíduo, causando sofrimento e comprometendo seu desempenho profissional e seus relacionamentos interpessoais.

As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos, repetitivos e recorrentes que causam ansiedade, medo ou desconforto. As mais comuns são os medos de contaminação e a preocupação com sujeira, as dúvidas sobre a possibilidade de falhas e a necessidade de ter certeza. Também são comuns pensamentos, impulsos ou imagens indesejáveis e perturbadores de conteúdo violento, sexual ou blasfemo.

As compulsões, no entanto, são comportamentos conscientes, estereotipados e recorrentes, podendo ser explícitos (comportamentais) ou implícitos (mentais) realizadas como tentativa de reduzir a aflição causada por obsessões ou por regras rígidas.  O objetivo das compulsões é prevenir ou reduzir momentaneamente a ansiedade ou sofrimento, mas não oferecem prazer ou gratificação. As principais compulsões são as verificações, lavagens, contagem, necessidades de perguntar ou conferir, rituais de previsão e simetria, guardar ou colecionar e compulsões múltiplas. 

Para realizar o diagnóstico, as obsessões e/ou as compulsões devem ser consideradas graves o suficiente para causar marcada aflição, perda de tempo e prejuízos ao funcionamento cotidiano. Caso haja outro transtorno presente, as obsessões e as compulsões não podem estar restritas ao conteúdo desse transtorno. 

A presença do TOC interfere de maneira bastante acentuada na vida dos indivíduos, os sintomas Obsessivos Compulsivos (OC) podem consumir muito tempo da pessoa, seja na execução de rituais, ou pensando sobre as suas obsessões, muitas vezes impedindo-a de envolver-se com atividades mais produtivas. O prejuízo causado muitas vezes gera sobrecarga e estresse, provocando sentimentos de culpa, raiva, frustração, além de afetar a auto-estima e causar depressão.

Normalmente, o TOC compromete não só a vida do paciente como a de toda a sua família, que reage a manifestação do transtorno de duas maneiras, ou se opõem de forma rígida às exigências do paciente (polo antagonístico), ou se acomodam aos seus sintomas (polo de acomodação). No primeiro caso, os familiares se recusam a se envolver nos rituais, tendendo a ser rígidos, críticos e punitivos, o que leva a um aumento dos sintomas da doença, da ansiedade e da depressão e induz os pacientes a realizarem seus rituais de forma escondida. No polo de acomodação, àquele chamado de acomodação familiar, os membros da família participam diretamente dos sintomas dando condições para que o indivíduo realize a compulsão, o que por sua vez também reforça os sintomas. Existe ainda um terceiro padrão de comportamento, onde a família se encontra dividida, com membros em cada um dos dois polos. Nota-se, então, a necessidade de aproximar a família do tratamento de indivíduos com TOC, pois ela é coadjuvante no processo de mudança, podendo contribuir ou limitar avanços.

Apesar de todo prejuízo causado pelo transtorno muitas das pessoas acometidas pelo TOC nunca foram diagnosticadas e, menos ainda, tratadas. Muito se deve ao desconhecimento da doença, à dificuldade, por parte do próprio paciente, de seus familiares e até mesmo dos profissionais da saúde, de reconhecer os sintomas do TOC. Além disso, muitos não procuram tratamento adequado pois apresentam receio de expor seus sintomas pelas próprias crenças de que os pensamentos se tornem realidade ou até mesmo por medo de serem visto como loucos.

O TRATAMENTO DO TOC COM A TCC

O TOC sempre foi considerado um transtorno raro e de difícil tratamento, no entanto, com o desenvolvimento do modelo comportamental e do modelo cognitivo grande parte dos pacientes conseguem reduzir ou até eliminar por completo os seus sintomas. 

A TCC é uma abordagem que se baseia nas premissas que nossas cognições têm uma influência controladora sobre nossas emoções e comportamentos e o modo como agimos pode afetar profundamente nossos padrões de pensamento e nossas emoções. Desta forma, por meio da TCC, o paciente é ajudado a pensar e a agir de modo mais realista e adaptado sobre seus problemas psicológicos, reduzindo seus sintomas . 

O tratamento com a TCC baseia-se no aqui-e-agora, e o principal objetivo da terapia consiste em ajudar os pacientes a promover as mudanças desejadas em suas vidas. Desse modo, o tratamento concentra-se na solução de problemas tendo os objetivos explicitamente estabelecidos, além de que todos os aspectos da terapia são explicados ao paciente que, junto com o terapeuta, procura trabalhar numa relação cooperativa na qual planejam as estratégias para enfrentar os problemas claramente identificados na oportunidade de criar uma nova aprendizagem adaptativa e produzir mudanças fora do ambiente clínico.  

terapia-online-casule-bannerPowered by Rock Convert

Atualmente, a TCC é um tratamento considerado de primeira linha para os sintomas OC. Utiliza, no tratamento do TOC, intervenções comportamentais e cognitivas que já haviam sido comprovadas como efetivas no tratamento de outros transtornos, como as fobias e a depressão. Esse modelo tem como objetivo principal corrigir aprendizagens erradas e substituí-las por novas aprendizagens, além de modificar pensamentos, avaliações, interpretações e crenças distorcidas, com isso, procura cortar o círculo vicioso representado pelo alívio dos sintomas obtido com os rituais e com as evitações, responsáveis pela perpetuação dos sintomas OC. 

As sessões da TCC para o TOC são estruturadas, colaborativas, focadas nos sintomas e problemas identificados por meio das escalas, da lista de sintomas e do autorrelato do paciente. A estrutura da sessão, em geral, segue uma sequência, começando pela checagem dos sintomas (intensidade e frequência) e checagem do humor; revisão das tarefas de casa e sua discussão; exercícios comportamentais ou cognitivos; combinação de novas tarefas de EPR; resumo da sessão pelo terapeuta; tarefa de casa para a semana seguinte e o feedback da sessão por parte do paciente.

Normalmente, o modelo da TCC para o tratamento do TOC se estrutura da seguinte forma: 

Avaliação do Paciente 

Realizada através de uma entrevista semiestruturada, a avalição do paciente tem o objetivo de estabelecer o diagnóstico de TOC, a forma como o TOC se manifesta, os pensamentos automáticos, as crenças disfuncionais e as comorbidades associadas, determinar o início e o curso dos sintomas, a interferência na vida do paciente e da família, a existência de outros membros da família com os sintomas, a presença de doenças médicas e investigar os tratamentos realizados, sua efetividade e o uso atual de medicamentos. 

Psicoeducação e Motivação para o tratamento

A psicoeducação tem como finalidade informar o paciente sobre seu transtorno, dando informações sobre o TOC e fundamentos da TCC. É utilizada ao longo de todo o tratamento para reforçar ou acrescentar informações sobre o transtorno. São abordados principalmente os seguintes assuntos: o que é o TOC e suas implicações; explanação do modelo cognitivo-comportamental e como ele pode ajudar na redução dos sintomas; funcionamento das sessões, agenda, monitoramento dos sintomas, revisão de tarefas, exercícios de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR); combinações acerca do que é esperado do paciente como a realização de atividades fora da sessão, frequência e assiduidade; criar expectativas positivas de mudança e instaurar a confiança no paciente.

Identificação, listagem, avaliação da intensidade e hierarquização dos sintomas

A identificação dos sintomas consiste em habilitar o paciente a reconhecer obsessões, compulsões e evitações associadas ao TOC.  Solicita ao paciente uma lista mais detalhada e completa possível dos sintomas OC, incluindo freqüência, horários, locais, objetos ou situações que desencadeiam as obsessões e que o impelem a realizar rituais . 

Exercícios de Exposição e Prevenção de Resposta

 Essa é uma parte muito importante do processo, é onde começa a terapia propriamente dita. Depois dos sintomas terem sidos identificados, listados e hierarquizados, o terapeuta em colaboração com o paciente estabelecem os primeiros exercícios de EPR. 

A EPR fundamenta-se em uma modalidade de aprendizagem e de mudança de comportamento denominada Habituação, que consiste no desaparecimento espontâneo das reações de medo ou desconforto que ocorrem sempre que o indivíduo entra em contato direto com objetos ou situações que provocam tais reações, desde que, de fato, não sejam perigosos. A cada nova exposição, a intensidade do desconforto é menor, podendo, com a repetição, desaparecer por completo.

Alta e Estratégias de Prevenção de Recaídas

O objetivo principal da terapia é a eliminação completa dos sintomas, porém, tendo a maior parte destes eliminada, associada também a uma redução da ansiedade, já pode-se propor o espaçamento das sessões e, posteriormente, a alta. No entanto, pela natureza crônica do transtorno o paciente está sujeito a ter recaídas, com isso se faz necessário orientá-lo e treiná-lo em estratégias de prevenção de recaídas ao final do tratamento, que devem ser revistas e reforçadas em sessões periódicas de acompanhamento após a alta.

Fonte:

Rangé, B., Asbahr, F., Moritz, K., & Ito, L. (2001). Transtorno obsessivo-compulsivo. In B. Rangé (Org.), Psicoterapias cognitivo-comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria (Cap. 13, pp. 230-246). Porto Alegre: Artmed.

Cordioli, A. V. (2008a). A terapia cognitivo-comportamental no transtorno obsessivo-compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, 65-72.

Cordioli, A. V. (2014). Toc: Manual de Terapia Cognitivo-comportamental para o transtorno obsessivo-compulsivo (2a ed.). Porto Alegre: Artmed.

banner-paisagem-ebook-manejo-da-ansiedade-v1.1-curtoPowered by Rock Convert
Casule Play

A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo

Se você quiser saber mais ou conversar com um dos nossos profissionais sobre A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo, você pode  agendar o seu horário clicando aqui.


Ou você pode ver mais sobre Terapia Online, Acompanhamento semanal com nossa Nutricionista ou Como ter mais produtividade com o nosso Coach!
Danilo Uba, aqui no Blog.
Psicólogo especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atende adolescentes, adultos e idosos. Adora aprender coisas novas, assistir filmes e séries e ficar com a família e amigos. Conheça o meu Instagram. | Clique para marcar uma consulta comigo

O que você achou deste conteúdo?
Conte nos comentários sua opinião sobre: A terapia Cognitivo Comportamental para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo.


0 comentários

quero-emagrecer-por-onde-começo
Quero emagrecer, por onde começo?

Quero emagrecer, por onde começo?

Chás emagrecedores, dietas milagrosas, produtos caríssimos: quem de nós nunca recorreu a estes artifícios para emagrecer? No vídeo de hoje a nutricionista Isa Polastri traz três dicas de como iniciar e se manter nesse processo de maneira efetiva, com passos simples, leves e seguros.
Saúde-mental-e-as-redes-sociais
Saúde mental e as redes sociais

Saúde mental e as redes sociais

Existem muitas pesquisas que relacionam problemas de saúde mental, principalmente depressão e ansiedade, com o uso excessivo das redes sociais. E não é pra menos que este assunto se tornou corriqueiro nas rodas de conversa. Mas o que acontece para que um número...

treine sua assertividade
Treine sua assertividade

Treine sua assertividade

Muito se fala sobre os tipos de comportamentos e a importância dos modelos de comunicação, sejam eles passivo, assertivo ou agressivo, mas você já parou para pensar como você costuma se posicionar?
Por-que-alguns-casais-se-recuperam-de-uma-traição-e-outros,-não
Por que alguns casais se recuperam de uma traição e outros não?

Por que alguns casais se recuperam de uma traição e outros não?

Descobrir que os votos de fidelidade foram quebrados causa muita dor. Esse sentimento é forte porque a relação amorosa é uma das mais íntimas que estabelecemos e isso faz com que tudo o que é vivenciado nela seja muito intenso. A infidelidade é ser traído naquilo que é mais íntimo e que gera tanta expectativa, ao mesmo tempo em que começamos a nos questionar aonde nós falhamos e se fomos incompetentes em cuidar da relação.

Autoestima

Tenho recebido mensagens de pessoas dizendo que em meio a quarentena estão com a autoestima baixa, que por estarem em casa não estão se arrumando, e por isso, eu quero compartilhar com vocês uma história da minha filha...
Leia mais
Autoestima

Como identificar que seu filho precisa de psicoterapia?

A infância é uma fase marcada por transformações e crescimentos, tanto no âmbito físico quanto no emocional. É uma fase do desenvolvimento e maturação neurocognitiva de grande importância. A família precisa estar atenta as respostas comportamentais e emocionais. Os motivos para buscar a Psicoterapia na infância são diversos. A psicoterapia infantil é um caminho para ajudar a criança a lidar com essas questões. Estimular para que aprendam a lidar de forma funcional com o conjunto de emoções, pensamentos e comportamentos desencadeados nas mais diversas situações.
Leia mais
Como-identificar-que-seu-filho-precisa-de-psicoterapia

Alimentação pode minimizar os sintomas da menopausa

A menopausa é uma fase da vida das mulheres que pode trazer sintomas como ondas de calor, irritabilidade, ganho de peso, depressão, entre outros. A alimentação se torna importante no manejo destes sintomas e pode promover um bem-estar geral para as mulheres.
Leia mais
alimentação-pode-minimizar-os-sintomas-da-menopausa

Como lidar com a necessidade de controle?

A necessidade de controle é um mecanismo de enfrentamento utilizado por muitas pessoas que, normalmente,são perfeccionistas, inflexíveis, rígidas. O objetivo principal desse mecanismo é obter segurança e não se sentir vulnerável com os imprevistos.
Leia mais

Como resolver sua autoestima?

Nesse vídeo vou te fornecer um instrumento que vai te ajudar a solucionar seus problemas com a sua autoestima. Tá achando que é milagre? Não! O resultado vai depender das suas atitudes, porém será satisfatório.
Leia mais
Como-resolver-sua-autoestima

Como se posicionar?

Sabe aquela pessoa que sempre se comporta de forma rígida e agressiva? Você tem dificuldade em se posicionar quando isso acontece e acaba se sentindo constrangido ou com algum receio ou trava quando alguém te trata dessa forma? Se você quer aprender a se posicionar, esse vídeo é para você!
Leia mais

Ansiedade

O medo é um sentimento inato que nasce conosco. Já a ansiedade é um sentimento secundário oriundo do medo. Ela é um sentimento que todos nós temos, não há ninguém que tenha uma ansiedade zero. Assim sendo, a ansiedade basal de todos os seres humanos estão sempre maior que zero.
Leia mais

Como reduzir a celulite

A celulite é um processo de desestruturação em que a pele perde seu aspecto firme. Atualmente afeta cerca de 98% das mulheres de todo o mundo. Será que a alimentação pode contribuir na diminuição da celulite? A resposta é SIM e pode ser mais fácil do que você imagina! Assista ao vídeo completo e saiba como.
Leia mais
Como reduzir a celulite

Dicas para melhorar a sua Autoestima

Autoestima é uma auto avaliação positiva ou negativa, envolvendo o sentimento acerca de si próprio (como eu me sinto) e o autojulgamento a partir do que a sociedade impõe (como ''devo'' me sentir).
Leia mais
Dicas para melhorar a sua Autoestima
Tenha o total controle das suas emoções conte com a Casule para o seu bem-estar.
Share This