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É mesmo uma fase?

A repetição de certos padrões de comportamento é uma característica bastante comum na infância. Muitas crianças apresentam determinadas “manias”, como pular as linhas de uma calçada quando estão passeando, prender o cabelo só de um dos lados, usar somente um tipo de roupa, ouvir a história predileta todas as noites antes de dormir, sair na companhia de seu brinquedo favorito, entre outras.

Na infância, estes comportamentos são mais frequentes até os 5 anos de idade e podem se manifestar também em pequenos rituais na hora de dormir, tomar banho, comer ou ir para a escola. Na maioria das vezes, não causam nenhum problema para a criança ou para a família e costumam desaparecer após um tempo. Neste caso, se traduzem naquela velha frase, proferida por muitos que estão em volta – “isso passa, é apenas uma fase”.

Por outro lado, apesar de fazerem parte da infância, é preciso que os pais estejam atentos às proporções que estes comportamentos podem tomar na vida da criança. Quando se tornam muito repetitivos e começam a interferir na rotina, eles podem ser sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Tratar como “fase” um comportamento, o qual a criança gasta horas para realizá-lo todos os dias, demonstra frustração e irritabilidade excessivas caso seja impedida de fazê-lo ou até mesmo tristeza e ansiedade, pode não ser o melhor a fazer.

Os pais precisam ser capazes de perceber quando não se trata mais de uma fase, mas de atitudes que chegam a interferir na qualidade de vida de seus filhos. Não é uma tarefa fácil e, por isso, quando há dúvida, podem recorrer a um profissional para que seja realizada uma avaliação.

Alguns sinais de que as coisas não vão muito bem podem ser manifestos por atrasos nas atividades diárias, ocasionados pelo tempo excessivo que se gasta realizando uma mesma tarefa, perda de interesse pela escola, deixar de brincar por medo de se sujar, entre outros. Isto não só na infância, mas também na adolescência. Gostos que são comuns nesta fase, como jogos e internet, também devem ser motivo de atenção se passam a acontecer de maneira exagerada e prejudicam o contato social, familiar, e o rendimento escolar.

Como relatado inicialmente, muitos rituais são comuns e fazem parte do desenvolvimento. O importante é estar atento ao grau de interferência que causam na vida da criança, percebendo se há sofrimento embutido e prejuízos na rotina diária. Percebidas estas características, quanto mais cedo a busca por um profissional capacitado, mais seguros os pais estarão para lidar com cada situação e, caso se trate realmente de sintomas obsessivos compulsivos quanto mais cedo a criança receber tratamento, melhor será o prognóstico e a possibilidade de retorno a uma rotina saudável.

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Mariana Fonseca
Mariana Fonseca
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atende: Adolescentes, Adultos, Idosos, Casais, Famílias e Grávidas.

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