Como facilitar a chegada de um bebê na família

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Atualizado em 29/03/2021
Por Cristiane Schumann

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Pensando na chegada de um bebê na família, quero compartilhar algumas dicas e estratégias para amenizar o ciúmes e o desconforto que o irmão mais velho pode ter com relação a chegada de um irmão mais novo.

A primeira estratégia é que os pais ou pelo menos um deles tenha atividades a sós com o irmão mais velho, especialmente quando o bebê chegar. Como nos primeiros meses a atenção, os cuidados e todo o contexto familiar vai girar em torno do bebê, essa criança mais velha que já tem “autonomia”, “liberdade” e que já consegue “se virar sozinha”, pode ser automaticamente deixada um pouquinho de lado. Então, propiciar momentos de interação da criança com o pai, dela com a mãe e momentos a sós com os pais enquanto o bebê estiver dormindo é muito importante para que ela também se sinta amada, acolhida e recebendo a atenção dos pais.

Outra dica é promover algumas participações do mais velho com relação a vida do mais novo que ainda está no ventre. Por exemplo, o filho(a) mais velho pode ajudar na escolha do nome, ajudar qual o tema do quartinho do irmão mais novo ou qual o tema do quartinho dos dois que agora vai passar a ser compartilhado e deixá-lo(a) escolher a primeira roupinha do bebê. Assim, inicia-se a aproximação entre os dois irmãos.

Uma outra estratégia é mostrar para o irmão mais velho quais os benefícios de ser o mais velho, porque é mais “legal” ser o mais velho ao invés de ser o mais novo. E, algumas justificavas que podem ser usadas são: poder participar de festinhas de aniversário, poder comer coisas “gostosas” que o bebê não pode, ter autonomia para andar, para sair e brincar com o que quiser, coisa que o bebê também não tem. Ou seja, a gente vai munindo esse filho mais velho de empoderamento, no sentido de ser mais “capaz” (não intelectualmente), mas de ter mais possibilidades, mais autonomia do que o irmão mais novo. Então, o fato do irmão mais novo possuir mais atenção é justamente porque ele é mais necessitado disso.

Outra coisa muito interessante é retomar esse mesmo processo de gravidez, de espera, para o irmão mais velho. Mostrar fotos, mostrar bilhetinhos, as consultas médicas, bem como as coisas que estão mudando. Isso é interessante para que a criança mais velha não se sinta defasada com relação a esse irmão mais novo, uma vez que ela não se lembra quando ela estava no ventre ou quando ela era bebê e esse irmãozinho está ganhando presente, recebendo atenção, a mamãe vai ao médico, a mamãe passa a mão na barriga, especialmente porque a gente não pode pegar no colo, não pode pegar peso. Então, ele também sente falta desse contato e, ao mostrarmos para ele que enquanto ele estava no nosso ventre, ele também recebeu todos esses benefícios, isso ameniza o ciúmes e um possível sofrimento com essa chegada do irmão mais novo. 

É importante também incentivar o filho a falar dos próprios sentimentos. Por mais difícil que seja ouvir que seu filho está triste, perceber uma manifestação de ciúmes ou raiva de você, do papai, da vovó ou do bebê, é muito importante darmos espaço e liberdade para que o mais velho fale do bebê mais novo, da chegada do bebê mais novo ou das mudanças que esse novo ser está causando na família, porque quanto mais embotado isso ficar, mais prejudicial vai ser e mais graves podem ser as consequências quando o bebê efetivamente chegar.

Nesse sentido, nós também exercitamos a empatia, pois quando estamos num ambiente seguro, chega uma nova pessoa ou vem alguma mudança significativa, a gente se sente inseguro(a) e enciumado(a), imagina uma criança que é muito mais imatura do que nós, que não tem tanta habilidade para lidar com os sentimentos. Logo, é normal, é comum e é compreensível que esse filho mais velho tenha essa necessidade de demonstrar os seus sentimentos com relação a isso.

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Outra estratégia muito comum e que sempre escuto as pessoas falarem, é o filho mais novo “trazer” um presente para o filho mais velho, como por exemplo, um boneco(a) para ser cuidado pelo mais velho ou o carrinho que ele adora, pois assim esse bebê vem acompanhado de uma “promessa” de alguma coisa legal. Certamente, isso vai precipitar algum afeto positivo do mais velho com relação ao mais novo. É importante a gente ter ponderação, consciência e estarmos atentos a esse vínculo que estamos fazendo entre o irmão e um presente. Portanto, não é aconselhável que isso seja de uma forma exagerada ou que esse presente seja grandioso demais, uma coisa em que o irmão espera muito tempo por isso.

Além disso, é fundamental inserir o irmão mais velho nos cuidados do bebê. Por exemplo, pedir a ajuda dele na hora de trocar a roupinha, pedir que ele coloque a meia do bebê, para que ele ajude na escolha do look do bebê. Mas, não é legal colocá-lo(a) para participar de atividades que sejam desagradáveis para qualquer pessoa, como limpar o cocô, porque tem mau cheiro, não é visualmente agradável, causa uma certa ojeriza nos adultos imagina na criança. Então, a inserção do irmão mais velho no cuidado do irmão mais novo deve ser numa atividade lúdica, legal, interessante, onde ele se sinta útil, sinta prazer em estar fazendo aquilo ali.

Por fim, caso identifique alguma reação desproporcional, exagerada ou perigosa não hesite em buscar ajuda de um psicólogo, ou do pediatra. Isso é muito importante para nos ajudar a discernir se aquela reação que o mais velho está tendo é uma reação esperada, natural ou se está além daquilo que a gente pode suportar. Essa ajuda também é importante para nos ajudar a lidar com a reação que o irmão mais velho vai ter porque existem mecanismos e estratégias para ajudá-lo a lidar com esses sentimentos “desagradáveis” com relação à chegada do bebê.

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Cristiane Schumann, aqui no Blog.
Doutora e Mestre em Saúde, Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental, Especialista em Políticas e Pesquisas em Saúde Coletiva. Atende: Adolescentes, Adultos, Idosos, Casais, Famílias e Grávidas. Conheça o meu Instagram. | Clique para marcar uma consulta comigo

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