O que conhecemos hoje como estresse, tem origem em nossos ancestrais, que viviam em constante alerta contra os predadores e quando percebiam alguma ameaça, o organismo reagia automaticamente, levando-os a uma atitude de fuga ou luta. 

Atualmente existem várias definições para estresse, a mais utilizada é a incapacidade de lidar com uma mudança, real ou imaginada, que ameace o bem-estar mental, físico, emocional ou espiritual, e que resulte em uma série de respostas e adaptações fisiológicas por meio das quais o corpo busca manter sua homeostase.

De acordo com pesquisadores da área, o estresse pode ser dividido em quatro fases e os sintomas variam de acordo com a fase em que a pessoa se encontra, são elas:

  • Alerta:  considerada a fase positiva do estresse, quando a pessoa se prepara para a ação, deixando-a mais atenta e motivada;
  • Resistência: as pessoas utilizam toda energia como forma de se adaptar e buscar o equilíbrio de forma a manter a homeostase interna, nesta fase a produtividade cai e a pessoa se torna mais vulnerável;
  • Quase-exaustão: marcada pelo início do processo de adoecimento, órgãos com uma maior predisposição genética começam a dar início de deterioração, e se não há um alívio para o estresse, nem formas de enfrentamento, o estresse atinge sua última fase;
  • Exaustão: fase mais negativa, marcada por um desequilíbrio interior muito grande. Nesta fase, as doenças são mais frequentes, tanto na área psicológica, em forma de depressão, ansiedade, como na área física, na forma de hipertensão arterial, úlceras gástricas e problemas dermatológicos.

Quando persistente ou exagerado, o estresse pode causar danos à saúde do indivíduo e inclusive desencadear uma série de reações fisiológicas, o que pode agravar uma doença já existente ou facilitar o aparecimento de uma patologia, desde que o indivíduo apresente predisposições. O excesso de situações provocadoras de estresse pode levar a efeitos prejudiciais ao corpo e a mente, efeitos estes que estão diretamente ligados ao sistema nervoso autônomo e relacionados ao sistema nervoso central.

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O estresse necessariamente não leva o organismo a um desgaste, isso depende da intensidade, duração, vulnerabilidade e o modo como o indivíduo administra o evento estressor. Pode-se dizer que há um desgaste quando ocorre uma quebra do equilíbrio interno do organismo, ou seja, quando a soma das reações biológicas a um evento estressor tende a alterar o seu equilíbrio. O grande problema ocorre quando há um estado de alerta em situações em que não haveria necessidade, ou mesmo quando há uma prontidão fisiológica de forma excessiva.  

Existem duas fontes de estresse: as fontes externas, que requerem uma rápida adaptação, como as mudanças na sociedade e na comunidade, os desastres naturais e as doenças, e as fontes internas, relacionados aos processos cognitivos, como o nível de assertividade, vulnerabilidade, cognições distorcidas e expectativas irrealistas. 

Os sintomas de estresse podem ser de ordem física ou psicológica, tais como: sensação de desgaste constante, alteração do sono, formigamento, irritabilidade excessiva, diminuição da libido, angústia, sensação de incompetência nas áreas da vida, entre outros.

Uma das formas de manejo do estresse é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), trata-se de uma abordagem terapêutica que utiliza da psicoeducação além de técnicas como a reestruturação cognitiva, relaxamento muscular progressivo, respiração diafragmática, mindfulness e exposição prolongada. 

A TCC busca auxiliar o paciente a reconhecer seus limites; identificar seus estressores; conhecer as fontes internas e externas geradoras de estresse, eliminando as que forem possíveis e aprender estratégias para lidar com as situações não modificáveis; reestruturar a forma de pensar e ver o mundo de modo a eliminar algumas fontes internas relacionadas ao seu modo de ser; ser mais assertivo; reconhecer os seus limites e aprender a aceitá-los e melhorar o seu bem-estar e sua qualidade de vida de forma geral.





REFERÊNCIAS:


CARDOSO, G.S.S. Manejo de estresse de pacientes com HIV/AIDS por meio da TCC. Revista brasileira de terapias cognitivas, v.9, p,1, 26-33, 2013.


LIPP, M.E.N. Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: teorias e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. 


LIPP, M.E.N. Treino de controle do stress. Disponível em: http://www.estresse.com.br/tcs-2/treino-de-controle-do-stress/


ROMANI-SPONCHIADO, A.; SILVA, C.; KRISTENSEN, C. Psicoterapia Cognitivo-comportamental para o Transtorno de Estresse Agudo: uma revisão sistemática. Revista brasileira de terapia comportamental e cognitiva, v. 15, n.2, p. 64-74, 2013.

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