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	<title>transtornodoestressepostraumatico - Casule Saúde e Bem-estar</title>
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		<title>Transtorno do Estresse Pós-traumático (TEPT) em crianças e adolescentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redatora Casule]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Oct 2017 13:30:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[adolescente]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conceito de trauma foi sendo modificado ao longo do tempo e com ele, os critérios diagnósticos do TEPT. Atualmente, segundo o DSM-V (APA, 2014), o TEPT é caracterizado pela presença de cinco grupos de sintomas: exposição a um evento traumático, presença de sintomas intrusivos, evitação de estímulos associados ao trauma, alterações negativas no humor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O conceito de trauma foi sendo modificado ao longo do tempo e com ele, os critérios diagnósticos do TEPT. Atualmente, segundo o DSM-V (APA, 2014), o TEPT é caracterizado pela presença de cinco grupos de sintomas: exposição a um evento traumático, presença de sintomas intrusivos, evitação de estímulos associados ao trauma, alterações negativas no humor e nas cognições associadas ao evento e aumento da reatividade fisiológica. Em relação ao primeiro, deve haver exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma, ou mais, das seguintes formas:</p>
<ol>
<li>Vivenciar diretamente o evento traumático;</li>
<li>Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas;</li>
<li>Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo. Nos casos de episódio concreto ou ameaça de morte envolvendo um familiar ou amigo, é preciso que o evento tenha sido violento ou acidental;</li>
<li>Ser exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do evento traumático (como socorristas que recolhem restos de corpos humanos; policiais repetidamente expostos a detalhes de abuso infantil).</li>
</ol>
<p>O segundo grupo de sintomas se referem aos seguintes sintomas intrusivos associados ao evento traumático, começando depois de sua ocorrência:</p>
<ol>
<li>Lembranças intrusivas angustiantes, recorrentes e involuntárias do evento traumático. Em crianças acima de seis anos de idade, pode ocorrer brincadeira repetitiva na qual temas ou aspectos do evento traumático são expressos;</li>
<li>Sonhos angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou o sentimento do sonho estão relacionados ao evento traumático. Em crianças, pode haver pesadelos sem conteúdo identificável;</li>
<li>Reações dissociativas nas quais o indivíduo sente ou age como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente. Essas reações podem ocorrer em um <em>continuum</em>, com a expressão mais extrema na forma de uma perda completa de percepção do ambiente ao redor. Em crianças, a reencenação específica do trauma pode ocorrer na brincadeira;</li>
<li>Sofrimento psicológico intenso ou prolongado ante a exposição a sinais internos ou externos que simbolizem ou se assemelhem a algum aspecto do evento traumático;</li>
<li>Reações fisiológicas intensas a sinais internos ou externos relacionados a algum aspecto do trauma;</li>
</ol>
<p>O terceiro grupo de sintomas se relaciona à evitação persistente de estímulos associados ao evento traumático, começando após a ocorrência do evento, conforme evidenciado por um ou ambos dos seguintes aspectos:</p>
<ol>
<li>Evitação ou esforços para evitar recordações, pensamentos ou sentimentos angustiantes acerca do situação marcante, ou associados de perto a ela;</li>
<li>Evitação ou esforços para evitar lembranças externas (pessoas, lugares, conversas, atividades, objetos, situações) que despertem recordações, pensamentos ou sentimentos angustiantes acerca do ao evento traumático, ou associados de perto a ele.</li>
</ol>
<p>O quarto grupo de sintomas são alterações negativas em cognições e no humor associadas ao evento traumático começando ou piorando depois da ocorrência de tal evento, conforme evidenciado por dois (ou mais) dos seguintes aspectos:</p>
<ol>
<li>Incapacidade de recordar algum aspecto importante do evento traumático, geralmente devido à amnésia dissociativa, e não a outros fatores, como traumatismo craniano, álcool ou drogas;</li>
<li>Crenças ou expectativas negativas persistentes e exageradas a respeito de si mesmo, dos outros e do mundo;</li>
<li>Cognições distorcidas persistentes a respeito da causa ou das consequências do evento traumático que levam o indivíduo a culpar a si mesmo ou os outros;</li>
<li>Estado emocional negativo persistente;</li>
<li>Interesse ou participação bastante diminuída em atividades significativas;</li>
<li>Sentimentos de distanciamento e alienação em relação aos outros;</li>
<li>Incapacidade persistente de sentir emoções positivas.</li>
</ol>
<p>O último grupo de sintomas diz respeito às alterações marcantes na excitação e na reatividade associadas ao evento traumático, começando ou piorando após o evento, conforme evidenciado por dois ou mais dos seguintes aspectos:</p>
<ol>
<li>Comportamento irritadiço e surtos de raiva (com pouca ou nenhuma provocação) geralmente expressos sob a forma de agressão verbal ou física em relação a pessoas e objetos;</li>
<li>Comportamento imprudente ou autodestrutivo;</li>
<li>Hipervigilância;</li>
<li>Resposta de sobressalto exagerada;</li>
<li>Problemas de concentração;</li>
<li>Perturbação do sono.</li>
</ol>
<p>O TEPT é considerado mais um dos transtornos de ansiedade, segundo Stallard (2010), estes transtornos constituem o maior grupo de problemas de saúde mental durante a infância, podendo causar um efeito significativo no funcionamento diário, criar impacto na trajetória do desenvolvimento e interferir na capacidade de aprendizagem, no desenvolvimento de amizades e nas relações familiares. O autor afirma que muitos são persistentes e se não forem tratados aumentam a probabilidade de problemas na idade adulta. O TEPT se diferencia dos demais transtornos de ansiedade por requerer a identificação de um acontecimento desencadeante. Devido às intensidades e naturezas dos estímulos traumáticos, esses produzem medo, terror e desamparo extremos à pessoa (Caballo &amp; Simón, 2011).</p>
<p>A prevalência de TEPT é de 6,5% na população geral (Cunha &amp; Borges, 2014), e seus sintomas podem perdurar por meses, ou por toda a vida. São marcados por persistência de pensamentos, sensações e comportamentos especificamente relacionados ao trauma. Tais pensamentos são indesejáveis e acabam por tomar conta do funcionamento psíquico, dificultando o desempenho do indivíduo em outras atividades (Cunha &amp; Borges, 2014; Friedman, 2009). Devido a isso, eventos traumáticos na infância podem acarretar prejuízos significativos no desenvolvimento global, comprometendo sua vida adulta (Tricolli, 2011).</p>
<p>O TEPT em crianças e adolescentes ganha uma atenção especial, devido ao momento crítico do desenvolvimento e fragilidade. Muitos dos sintomas encontrados entre crianças e adolescentes com TEPT são comuns aos adultos com o mesmo transtorno, porém algumas particularidades vem sendo destacadas nos estudos com crianças: tendências a reexperimentar ou reviver o acontecimento em formas estereotipadas e repetitivas de brincadeiras, pode ocorrer ausência de cenas retrospectivas instantâneas, regressão de etapas de desenvolvimento com comportamentos regressivos evidentes e perdas habilidades já adquiridas. Além disso são comuns sonhos aterrorizantes e outros transtornos cognitivos (Cunha &amp; Borges, 2014; Caballo &amp; Simón, 2011).</p>
<p>A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) procura identificar as principais crenças do paciente e suas relações com os sintomas apresentados, além disso aposta em novos condicionamentos para a melhora do transtorno. Procura ainda desenvolver habilidades de resolução de problemas e fortalece os pontos de amparo do indivíduo (Clarck &amp; Beck, 2012). A TCC infantil tem o mesmo propósito, porém utiliza técnicas lúdicas, brincadeiras, contos, desenhos e jogos para alcançar as mudanças necessárias. (Petersen &amp; Wainer, 2011)</p>
<p>Todos os tratamentos para TEPT com bases na TCC possuem cinco etapas básicas: psicoeducação sobre o transtorno, treinamento de relaxamento para diminuição da ansiedade, reestruturação cognitiva, exposição a objetos e lugares geradores de ansiedade, prevenção de recaídas. Esses pontos também são trabalhados com crianças e adolescentes com TEPT (Tricolli, 2011; Reinecke, Dattilio &amp; Freeman, 2009). A TCC é a base teórica mais apontada na literatura em relação a sua eficácia no tratamento desse transtorno em crianças e adolescentes.</p>
<p>Algumas abordagens buscam complementar as intervenções da TCC, entre elas a Terapia dos esquemas e TCC-Focada no trauma. Ambas propões complementos às TCC tradicional com crianças e adolescentes, alcançando resultados satisfatórios. Pesquisas que busquem testar novos meios de tratamento e novas adaptações da TCC fortalecem os tratamentos clínicos, por isso são tão importante para população como um todo.</p>
<p>No Brasil, estudos sobre TEPT e TCC são escassos, aqueles que objetivam a testagem de intervenções, como novas técnicas e formas de tratamento são ainda em menor quantidade. Se faz necessário mais produções científicas brasileiras que avaliem os tratamentos para TEPT com crianças e adolescentes, que testem as intervenções oferecidas e possam traçar o perfil daquelas que apresentem resultados positivos, com o propósito de melhorar a qualidade dos tratamentos psicológicos no país.</p>
<p>#trauma #transtornodoestressepostraumatico #tept #crianca #adolescente</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>American Psychiatric Association (2014). <em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders </em>– Fifith edition<em>: DSM-V</em>. 5th ed. Washington (DC): American Psychiatric Association.</p>
<p>Caballo, V.E. &amp; Simón, M.A., (2011). <em>Manual de psicologia clínica e infantil e do adolescente. </em>Editora Santos, São Paulo, SP</p>
<p>Clarck, D.A. &amp; Beck, A.T. (2012). <em>Terapia cognitive para os transtornos de ansiedade.</em> Artmed. Porto Alegre, RS</p>
<p>Cunha, M.P &amp; Borges, L. M., 2014. Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) na infância e na adolescência e sua relação com a violência familiar. <em>Academia paulista de psicologia</em>. v. 33. n. 2. pp 1-24.</p>
<p>Friedman, M., (2009). <em>Transtorno de estresse agudo e pós-traumático</em>. Artmed, 4 ed. Porto Alegre, RS.</p>
<p>Petersen, C.S &amp; Wainer, R., 2011. <em>Princípios básicos da terapia cognitivo-comportamental de crianças e adolescentes, in Terapias cognitivo-comportamentais para crianças e adolescentes</em>, org. Petersen, C.S.&amp; Wainer, R., 2011. Artmed, Porto Alegre, RS.</p>
<p>Reinecke, M.A, Dattilio, F.M. &amp; Freeman, A., 2009. <em>Terapia cognitiva com crianças e adolescentes: relatos de casos e a prática clínica.</em> LMP, São Paulo, SP.</p>
<p>Stallard, P. (2010). <em>Ansiedade: Terapia Cognitivo-comportamental para crianças e jovens. </em>Porto Alegre: Artmed.</p>
<p>Tricolli, V.A.C., 2011. <em>Terapia cognitivo-comportamental aplicada ao estresse pós-traumático na infância, in Terapias cognitivo-comportamentais para crianças e adolescentes</em>, org. Petersen, C.S.&amp; Wainer, R., 2011. Artmed, Porto Alegre, RS.</p>
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