Síndrome de Tourette
29 de novembro de 2016
De quem é a culpa do seu estresse?
5 de dezembro de 2016

Luto pelo amor que acabou antes de começar Sinto sua falta e está doendo. Sinto falta do que houve, do que poderia ter sido, sinto mais falta ainda do que não tivemos. Sinto falta dos cafés que tomamos, das horas que passamos conversando, de como tudo fluía tão bem. Era fácil sorrir ao seu lado. Sinto falta do seu carinho, do seu abraço e de como me esquecia de tudo quando estava nos seus braços. Sinto mais falta ainda daquele último que nunca me foi dado. Sinto falta do seu cheiro e da sua segurança, quase arrogante, de quem tinha um medo profundo de ser ferido. Do seu sorriso no canto da boca enquanto falava ao seu ouvido. Sinto falta de quando me ouvia tocar violão encantado. E a tudo gravava, como se o concerto fosse digno de reconhecimento. Como seria bonita a música que nunca te fiz e cantaria no nosso aniversário e, depois, quem sabe, no nosso casamento. Sinto falta daquele dia quando me disse que já não saberia mais como viver sem mim. E, sua mão, seu olhar e seu coração transbordavam gratidão e amor. Quando me disse que de seu passado nada sobrara e só tinha olhos para o presente. Entretanto, nunca curou-se daquela dor. Sinto falta do café da manhã que me levou na cama com um bilhete carinhoso e uma flor. E da massagem que ganhei nas costas, despretensiosamente, naquele sábado qualquer. Com cheiro de chuva, bolo e sua pele. Não houve um só dia assim sequer. Sinto falta das noites em que me ouvia chorando e, pacientemente, esperava que toda a tempestade passasse enquanto alisava meu cabelo dizendo que tudo tinha jeito. E, então, dormíamos abraçados e trocava o sufoco das lágrimas pelo seu peito. Restou-me apenas o travesseiro. Sinto falta dos nossos planos de viagem, nossa família, nossos filhos e cachorros. Poderia discorrer em infinitos parágrafos como era feliz e linda a história que nunca tivemos. Poderia falar dos desafios que nunca superamos juntos e dos sonhos que nunca vivemos. Aqui jaz um amor que acabou antes de começar. Aqui jaz a planta que morreu antes de nascer. Aqui enterro somente expectativas. Que descansem em paz. Mas que os sonhos sejam eternos, porém. Pois sonhos são sementes aguardando um terreno fértil que as queira bem. Conti Outra

A morte está presente na vida de todos nós, para alguns mais cedo, para outros, de modo mais trágico, e para os privilegiados, de forma a corresponder com os grandes ciclos naturais da vida. Embora parte da vida, a morte é vista em nossa sociedade como algo a ser evitado, postergado, como se morrer fosse adversário do processo de viver.

Essa visão se baseia em três princípios. Primeiramente, quando se está na vida, é preciso encontrar forças para lutar por ela e a morte elimina qualquer possibilidade de continuidade dentro da mesma perspectiva de antes. Pode-se falar, é claro, da continuidade espiritual, da prevalência das memórias que mantêm viva uma pessoa que se foi. Mas o fato é que a morte interrompe um processo, modificando as possibilidades e os rumos dos envolvidos. Por isso, a batalha entre pulsão de vida e pulsão de morte, coloca muitas vezes as duas em extremidades opostas, apesar da morte estar contida na vida e esta naquela.

O segundo ponto que nos faz temer a morte é o que vem depois dela. De todas as transformações, a morte é a mais definitiva e profunda, arrebatando nosso ser para uma realidade completamente desconhecida. Se há vida depois da morte… eis uma questão de foro íntimo, uma questão de fé e de percepção de vida. Da perspectiva da Terra, pura e simples, o que há na morte é a saudade e o encerramento de uma história. Se esse encerramento é uma passagem para um mundo diferente do nosso, nem todos conseguem se agarrar a essa esperança.

E finalmente, o último elemento que nos faz ter repulsa à ideia da morte é a dor. Em qualquer língua, em qualquer época, em qualquer história, dor é dor, e requer muito treino, paciência e aceitação para se tornar construtiva em nossa trajetória. A dor é uma violência para a alma e nos tira do patamar de compreensão que tínhamos até então para nos lançar ao estado do limbo, no qual não se pertence a mundo nenhum, pois a conexão com a realidade fica frágil.

Processo de luto

Quando se perde alguém violentamente, de modo repentino ou inesperado, quem fica permanece nesse limbo por um tempo indeterminado. É comum pessoas em processo de luto por morte abrupta serem tomadas por um estado de catatonia, semelhante a um morto-vivo, ou a um robô, que passa a agir no “piloto-automático”, sem domínio ou vontade de controlar suas ações. Uma parte continua vivendo, pois entende ser necessário, mas a outra não está lá. A alma fica dividida e constantemente, o enlutado sente que morreu também e que sua história nunca mais será a mesma.

De fato, nunca mais será, pois a morte marca a alma. Entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experiência que o acaso (será?) nos propõe. A superação só se dá a partir de um longo processo e ela não significa esquecer, fingir que não aconteceu ou ainda não sentir dor quando lembrar. Superar significa apenas aceitar e continuar.

Mas como aceitar algo que não faz sentido? Algo que não vem com avisos, que não parece ter um por quê dentro da lógica do merecimento? Como aceitar a morte de alguém bom, que tinha uma vida enorme pela frente? E que o destino levou em segundos, sem nos ter orientado para aquele momento? Como continuar sem ter mais vontade de viver, sem ter um sentido que nos norteie?

Da dor á aceitação

Podemos tomar como exemplo o caso  do filho de Cissa Guimarães, de 18 anos, levado pelas circunstâncias de modo violento. Uma reação bastante comum inicial seria a de procurar culpados, alguém em quem se possa descarregar a dor. O fato é que isso, além de gerar novas dores, não traz a pessoa de volta. Alguns dizem que buscar justiça traz alívio. Entretanto, no caso de acidentes e não de crimes intencionais, culpabilizar alguém só agrava a situação.

Há fases no processo de aceitação de morte. A estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, autora de vários livros sobre o tema, alerta que em geral, diante da morte qualquer ser humano passa por cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Esses estágios não necessariamente são subsequentes, podendo estar misturados e serem vividos ao mesmo tempo.

Negar é não poder ver e usar recursos para afastar a realidade que dói. Entre esses recursos temos uma infinidade de ações: acreditar que o morto ainda voltará, manter todos os objetos dele intactos, como se estivessem à espera do falecido, ou ainda negar a dor da situação, indo se divertir de modo desproporcional ao que o momento pediria, ou entregando-se a algum vício…

Ter raiva é querer culpar alguém. É procurar um responsável pela dor. Ter raiva é pensar que poderia ter sido diferente se o fulano não tivesse errado nisso, se o médico tivesse tentado aquilo, se a pessoa que ficou tivesse chegado minutos antes… A raiva não permite encarar o processo como algo que fugiu do controle, querendo devolver aos mortais o domínio do destino. A raiva é necessária para descarregar, mas é um esforço quase vão que nos liga ao passado.

Barganhar é tentar negociar com o destino. Fazer magia, fazer promessa, buscar psicografia. Esses recursos são importantes, mas ainda demonstram uma ligação com um passado que não se quer deixar ir. Ouvir uma palavra psicografada não deve ser um recurso proveniente de uma busca desesperada por contato, mas sim, algo que espontaneamente surge, se for essa a crença de quem fica.

A depressão é o último estágio antes da aceitação e não é por acaso. Quem se deprime está mais perto de ver as coisas como elas são e ver a devastação que a morte causou. O perigo desse estágio é o tempo de permanência. A depressão é a maior ladra da vida e por isso deve ser combatida quando o tempo é superior a seis meses e a intensidade tira o enlutado das atividades que o ligam à vida (trabalho, convívio familiar, convívio social, saúde, fé no futuro).

Finalmente, a aceitação é o processo que nos torna capazes de ver, tocar, falar sobre a morte e ao mesmo tempo, deixá-la ir para onde tiver que ir, longe de nossos domínios, de nosso controle racional. Deixar ir não significa esquecer, tampouco não sofrer nunca mais. Deixar ir é fazer as pazes com o tempo, com novas chances para quem ficou, com a única certeza de que absolutamente tudo muda e que é preciso se transformar junto com a vida e com a morte.

FONTE:http://www.personare.com.br/vida-e-morte-lidando-com-o-luto-m780

CONTEښDO VIP
Coloque o seu email abaixo para receber gratuitamente as atualizações do blog!
 
Enviar
100% livre de SPAM.

Comentários

comentários

Redatora Casule
Redatora Casule
Sou focada em achar o melhor conteúdo que já foi publicado na rede e trazer informações que são relevantes e agregam valor para você.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Marcar Consulta
CONTEښDO VIP
Coloque o seu email abaixo para receber gratuitamente as atualizações do blog!
 
Enviar
100% livre de SPAM.
Fechar
 E aí? Vamos conversar?

  • Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.
close-link

Agende a sua Sessão aqui!
Primeira sessão R$ 100,00 (Psicologia, Fonoaudiologia e Nutrição)

PRÓXIMO PASSO →
fechar
Agendar Sessão