A nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM-V) trouxe modificações importantes no diagnóstico de vaginismo e dispareunia, que foram somados para dar origem ao Transtorno de Dor Genitopélvica e da Penetração. Segundo a nova classificação, há quatro dimensões de sintomas:

  • Dificuldade para ter relações sexuais, variando desde incapacidade total a penetração em qualquer situação até capacidade de experimentar a penetração em algumas situações.
  • Dor genitopélvica. A dor ocorre pela contração involuntária do músculo do assoalho pélvico ao redor da vagina durante tentativas de penetração, causando desconforto, ardência, dor, problemas com a penetração ou total incapacidade de ter intercurso sexual.
  • Medo de dor ou de penetração vaginal.
  • Tensão nos músculos do assoalho pélvico.

Diversos fatores interferem negativamente na relação sexual, como a presença de dor, dificuldade em sentir prazer, alterações psicofisiológicas nas fases de excitação e orgasmo, estados emocionais negativos, como raiva, medo, ansiedade, depressão, baixa autoestima, experiências sexuais traumáticas, crenças distorcidas acerca do sexo, crenças religiosas e conflitos conjugais. Em função da dor, as pacientes acabam evitando situações sexuais, focando apenas na satisfação do parceiro, o que torna ainda mais difícil a manutenção do desejo, da excitação e possibilidade de sentir prazer.

Pode-se dizer que a dor é uma resposta condicionada na medida em que o coito associado a uma sensação dolorosa gera contração da musculatura vaginal (resposta condicionada). E ainda, o comportamento de evitação mantém este mecanismo por reforço negativo, ou seja, quando a paciente evita o desconforto que iria sentir com a relação sexual, há alívio da ansiedade antecipatória, mantendo o comportamento de evitação e o próprio quadro.

Participe e aprenda mais sobre bem-estarPowered by Rock Convert

A base emocional do transtorno é a ansiedade, mais especificamente ansiedade de desempenho sexual. Do ponto de vista cognitivo, a ansiedade elevada interfere negativamente no funcionamento sexual, uma vez que a paciente percebe a própria relação sexual como ameaçadora. Assim, ela se distrai de estímulos sexualmente excitantes e assume interpretações equivocadas sobre esses estímulos.

Segundo a Terapia Cognitivo-Comportamental, é necessário compreender a relação entre os pensamentos, emoções e comportamentos envolvendo o ato sexual, e não apenas o quadro de dor em si. Deve-se levar em consideração o que a paciente pensa sobre sexo, os comportamentos sexuais pregressos, os atuais, as crenças desenvolvidas a partir dessas experiências, a percepção acerca da sexualidade, os valores, crenças e aspectos culturais, familiares e religiosos relacionados à relação sexual, as próprias crenças sexuais, mitos, a autoimagem corporal, autoestima, entre outras percepções. Na prática clínica, partimos da identificação e modificação de crenças disfuncionais a respeito da sexualidade do parceiro e da própria pessoa.

O tratamento é multidisciplinar englobando o médico ginecologista, psicólogo e fisioterapeuta.  A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado eficaz no tratamento do transtorno da dor genitopélvica e da penetração, podendo ser estruturada em intervenções individuais ou do casal. O objetivo é a restruturação cognitiva de pensamentos e crenças distorcidas quanto ao sexo, controle dos níveis de ansiedade, desenvolvimento de habilidades sexuais, melhora da assertividade e da confiança sexual, bem como na qualidade do relacionamento.

Share This