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Série fotográfica retrata os altos e baixos de quem sofre de depressão e outros problemas psicológicos

A história de Liz Obert começa como muitas outras – todos os dias, ela se levantava, vestia e enfrentava o mundo lá fora. Ela acenava, falava e até podia sorrir, mas o que ia por dentro de sua alma era, sobretudo, dor. A depressão que lhe foi diagnosticada com cerca de 20 anos não melhorava com a terapia, muito menos com medicamentos. O problema de Obert era outro:bipolaridade.

Com um transtorno bipolar de nível II, a fotógrafa conhece bem a sensação de mascarar os sentimentos, de encher o peito de ar e encarar a vida lá fora, quando, na volta para casa, o sofá e, principalmente, a apatia perante a vida tomam conta do ser humano. Mesmo sabendo que isso não é um exclusivo de pessoas com distúrbios mentais, Obert decidiu que queria mostrar o lado escondido de quem vive dividido em duas personalidades. De um lado, o “eu” verdadeiro, na privacidade de casa; do outro, o “eu” que queremos que os outros vejam. E começou por ela mesma:

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“Meu cão Niko, vinho tinto e pizza; trabalhar no estúdio, ouvir batidas na cassete, cochilar, ficar em casa, amigos chegados, tentar não pensar, dormir muuito” / “Socializar, happy hour, acampar, escalar, otimista, tudo vai ficar bem”

A série, chamada Dualities (“Dualidades”, em português) pretende “oferecer um vislumbre da intimidade pessoas que lutam com desordens que são, muitas vezes, incompreendidas”, afirma Obert.

Para tornar o projeto mais rico e conhecer melhor os personagens, a fotógrafa pede que cada modelo escreva uma frase por baixo das fotos, mostrando os diferentes estados de espírito que as atravessam. O curioso é que Obert chegou à conclusão que as fotos do lado depressivo são mais naturais e fáceis de clicar, enquanto que as outras, aquelas do mesmo jeito em que as pessoas se apresentam ao mundo, chegam a ser constrangedoras.

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“Solidão, jogar video game, abraçar gatinhos, rir desesperadamente de comédia sarcástica, satisfação com comida do dia, introspeção, evitar meu trabalho artístico, mais solidão” / “Ver amigos, video games com amigos online, música enquanto preparo boa comida, boa cerveja, fazer trabalho artístico de que me orgulho, aproveitar a companhia de meus desempregados felinos e companheiros de quarto”

Para cada fotografia, Obert marca primeiro um encontro com os modelos, onde eles possam conversar, se sentir confortáveis e mostrar como gostariam de ser retratados. Apesar de já existir 10 retratos, Obert tem visto vários pedidos recusados, por pessoas que consideram que esta é uma forma de exposição muito grande de seus problemas interiores. A fotógrafa acredita que isso tem também a ver com o estigma que existe sobre os problemas psicológicos nos EUA (e um pouco pelo mundo moderno, onde, paradoxalmente, esses problemas não param de aumentar).“Eu acho que o mundo ainda precisa ser educado nesse processo. A morte de Robin Williams trouxe um pouco o tema à mídia e com isso se discutiu um pouco mais, mas a maioria do tempo [esse assunto] é silenciado”.

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“Eu sou pequena e necessitada, como diz a música da Sia, cercada por uma névoa de fracasso, me afogando nas expectativas que não cumpri, uma sombra de mim mesma” / “Minha vitalidade e amor pela vida são inegáveis, sou a personificação da força, beleza em movimento. Eu falo em meu nome e daqueles com uma voz clara e audível”

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“Eu ouço música: Ryan Adams, Neil Young, Wilco, Radiohead, The National, Jeff Buckley, Pavement, Echo and the Bunnymen – coisas desse tipo; eu gosto da absorção que a música produz; envolvido pela ritmo e pela melodia, minha disposição pode ser alterada” / “Eu continuo escutando música, mas a minha playlist muda; estou mais apto a ouvir hip-hop, Al Green, John Legend, Beastie Boys, The Clash, Nirvana, Pixies”

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Nota do redator: Legendas parcialmente ilegíveis. “Estagnado, sentimento de ódio próprio, sozinho. Eu falhei. A criatividade se foi. O mundo enloqueceu!!!” / “Me sentindo criativo e consistente, uma linha de vida só por estar, no momento, em uma base estável”

Todas as fotos © Liz Obert

Fonte:  http://www.hypeness.com.br/2014/11/serie-fotografica-mostra-a-vida-dupla-de-pessoas-com-problemas-psicologicos/

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Redatora Casule
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