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Culpa: o que fazer com ela?

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Não é de hoje que o ser humano pensa e, diga-se de passagem, pensa muito. Ao fazer isso, inevitavelmente se autoavalia. Agimos assim desde que somos pequenos e tal hábito se mantém inalterado por praticamente toda uma vida. Creio, inclusive, que até se acentue um pouco em idades mais avançadas.

Pensamos, de maneira ininterrupta, a respeito de nosso presente, passado e futuro. Arriscaria dizer que, dentre os três, nosso passado exerce certa predominância atencional.

Imagino que esse fascínio ancestral seja decorrente do péssimo hábito que desenvolvemos a respeito de raciocinar sobre certos acontecimentos. Dos bons aos maus, esses últimos, diga-se de passagem, ocupam um espaço importante em nossa vida.

E isso, você deve saber muito bem, ocorre em relação aos mais variados segmentos: finanças não bem administradas, oportunidades profissionais desperdiçadas, viagens não concretizadas, relacionamentos familiares mal conduzidos, afetos românticos não vividos (ou vividos de maneira incompleta) e, finalmente, para dar o contorno a uma centena de memórias inconvenientes, emolduramos nossas reflexões com um verniz de fracasso e imperfeição pessoal.

Nesse processo nostálgico, um elemento se torna verdadeiramente preponderante: “a culpa” por termos feito algo de maneira imprópria. Culpabilizamo-nos por não termos falado, por não termos agido, por não termos sentido e, finalmente, por não termos nos posicionado de alguma maneira específica. Tais lembranças, obviamente, nos conferem uma reminiscência de malogro e de incapacitação que se perpetua em nossa mente de maneira indelével.

Esse péssimo hábito acaba nos pregando uma boa peça, pois quanto mais vivemos, mais frustrados ficamos, uma vez que, quanto mais maduros e experientes nos tornamos, mais inadvertidas se tornam as ações analisadas à luz de nossa maturidade atual.

E, como um jogo de xadrez, no tabuleiro de nossa existência, examinamos, a partir da vida adulta, erros cometidos na condução de uma centena de peças e de decisões passadas.

Dessa forma, nossa mente fica povoada de arrependimentos e de remorsos que se tornam quase que perpétuos em nossa realidade psicológica.

Vejo isso diariamente em meu consultório, entretanto, cabe aqui uma questão: O que fazer? Essa é, definitivamente, uma boa pergunta.

Um aspecto que deveria ser considerado e ativamente praticado por nós em nossos pensamentos seria a possibilidade de procurar “relativizar” nossas imprudências passadas.

Eu explico. Não é difícil.

Decorrente não sei de quais princípios, mas o fato é que nos tornamos exímios julgadores. Tudo que fizemos de errado salta aos nossos olhos. Fico pensando se decorrente de uma moral cristã provida dos pecados da conduta ou ainda se influenciados pelos conceitos de ética ou de filosofia, criticamos severamente tudo e todos. Sabemos de cabeça o que é certo, errado, bom e mal e essas classificações, muitas vezes apontadas para nossa infância e adolescência, tornam-se tóxicas do ponto de vista retrospectivo, pois ficamos sempre no foco do deslize.

Sobreviver nessa trilha de autoacusações que nos leva a um início não muito claro, não se mostra das tarefas mais simples.

Todavia, se conseguíssemos olhar para nossa história sob uma ótica mais compreensiva, as circunstâncias ganhariam um novo ponto de vista. Embora colecionemos recordações negativas, lembremos que sempre agimos a partir do que efetivamente tínhamos em cada ocasião, compreende?…

Veja só: eu costumo pensar que meus erros se deram única e exclusivamente por minha falta de discernimento e sensatez, típicas da pouca idade e experiência de vida.

É dessa forma que coloco meus equívocos em perspectiva. Obviamente que não devemos nunca perder de vista nossa integridade e o bom-senso. Entretanto, seria interessante que nossa mente crítica pudesse sim nos alertar a respeito do que deve ser corrigido a partir do passado, mas que também – como mente adulta que é – entendesse que somos pessoas em experiência plena, ou seja, sujeita a contínuos erros de percurso que são corrigidos a partir das experiências de vida.

Dessa forma, culpabilizar-se menos pelos equívocos é um ótimo começo. Lembre-se que toda análise posterior sempre será potencialmente tendenciosa ao julgamento negativo. Assim, tente desfazer essa tendência. Posso lhe assegurar que sua autoestima irá agradecer-lhe bastante.

Caso você ainda se arrependa muito de algo, felizmente você ainda tem a oportunidade de corrigir o que, de fato, precisa ser alterado.

O que eu quero dizer com tudo isso? Simples: tente ser o seu melhor amigo e não um juiz impiedoso e implacável.

Ao agirmos assim, olhamos a vida com mais leveza, ao mesmo tempo que também alteramos, sem perceber, a maneira pela qual também acreditamos ser vistos pelo mundo.

Experimente pensar assim, vez ou outra. Acredito que isso irá ajudar-lhe bastante.

A maioria dos sentimentos de culpa são frutos de nossa própria imaginação.

Fonte: http://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/

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Nayara Benevenuto
Nayara Benevenuto
Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes. Atende: adultos, casais, famílias, crianças e adolescentes. Afiliada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

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