A importância mais básica da alimentação está na necessidade do nosso corpo absorver a energia presente nos alimentos e usá-la para todos os processos metabólicos. Qualquer excesso nesse consumo é estocado para ser utilizado quando a oferta de alimento não for suficiente para atender às necessidades energéticas. Entretanto, atualmente, a oferta de alimento é mais do que suficiente para satisfazer nossas necessidades e com isso o excesso de peso (sobrepeso e obesidade) é um crescente problema de saúde pública. Assim, o equilíbrio entre o que ingerimos e o que gastamos de energia promove a manutenção da massa corporal, enquanto o excesso na ingestão leva ao ganho de peso e a ingestão inferior à necessidade leva à perda. Contudo, diversos problemas dificultam o cálculo preciso de quantas calorias ingerimos. Algumas dessas dificuldades serão apresentadas no texto deste mês.

Relatos enviesados

Um problema comum quando o paciente relata o que ingere está relacionado com a diminuição (consciente ou não) da quantidade do que ele ingere. Uma pessoa que beba 4 latas de cerveja por dia pode dizer que bebe uma ou nenhuma por pensar “O que o nutricionista vai pensar de mim se eu falar que bebo isso tudo?” e acaba reportando uma quantidade muito inferior ao que de fato é consumido, dificultando a atuação do profissional.

Tamanho das porções ingeridas

A primeira dificuldade em se definir o tamanho do que foi ingerido é que, em geral, não somos bons em definir a quantidade que ingerimos. Por exemplo, aquela colher de sopa de açúcar que eu usei no suco estava realmente rasa ou estava cheia? Aquela xícara de café só estava metade cheia ou tinha mais que isso? Isso se torna especialmente complicado quando temos que recordar o que comemos no dia anterior por exemplo. Outro problema com o tamanho das porções é que as tabelas nutricionais, em geral, utilizam um valor único para alguns alimentos. Por exemplo, essa tabela pode apresentar um único valor de calorias presentes em uma maçã, mas existem mais de 7500 variedades de maçã e dentro da mesma variedade, o tamanho de um fruto para o outro pode variar importante.

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Rotulagem nutricional

A legislação brasileira prevê uma tolerância para os nutrientes e as calorias apresentados nos rótulos dos alimentos. Essa variação pode estar em + ou – 20% em relação ao que é apresentado na embalagem do produto. Assim, se você ingerir um iogurte que diz conter 150 kcal, na verdade ele pode ter entre 120 e 180 kcal. Durante um dia inteiro, essa diferença poderia chegar a 400 kcal para uma dieta de 2000 kcal.

Diferentemente do que possa parecer, não são todas as calorias que ingerimos que são efetivamente absorvidas. Ou seja, o valor presente no rótulo do alimento, mesmo que estivesse correto, não garante que a minha absorção de energia vai ser exatamente aquela. Diversas características individuais, como, por exemplo, a microbiota presente no intestino influencia na capacidade de absorção de nutrientes. Algumas condições como a presença de diarreia, por exemplo, podem diminuir significativamente a absorção de nutrientes, devido a passagem mais rápida pelo intestino.

Diversos outros fatores contribuem para alterar a quantidade de energia que realmente absorvemos. Por isso, o acompanhamento com nutricionista é importante, pois ele/ela é capaz de analisar todos esses aspectos e definir qual estratégia utilizar para te ajudar com seus objetivos. E se você continua contando calorias por aí para tentar emagrecer, acho que você já sabe porque deve parar, né?

Grande abraço e até a próxima!

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