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Como explicar a homoafetividade para as crianças

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Diálogo desde cedo pode formar adultos menos preconceituosos

O conceito de família vem mudando ao longo dos anos. O modelo patriarcal, onde o homem é o responsável pelo lar, foi ultrapassado à medida que a mulher se emancipou. Hoje, da mesma forma polêmica como repercutiu a quebra do padrão anterior, saem às ruas as “famílias modernas”, formadas apenas pela mãe ou pelo pai, ou por duas mães e dois pais. Se para muitos adultos é difícil aceitar, para as crianças não é assim tão complicado, afirmam os especialistas. O Ministério da Educação (MEC) vem tentando, desde 2011, inserir nas escolas públicas materiais que visam combater a homofobia. A iniciativa teve o repúdio da bancada conservadora do Congresso, que alega que tal aparato ensina como ser um homossexual.

As crianças conseguem aprovar, melhor do que um adulto com conceitos já definidos, as diferenças existentes na sociedade quando são norteadas de maneira eficiente. Orientá-las desde cedo sobre as diversidades sexuais pode formar uma sociedade com adultos mais tolerantes e menos preconceituosos, afirma a psicóloga e terapeuta cognitivo-comportamental infantil Nayara Peron. “O problema do preconceito parte, primeiramente, da família, e as crianças tendem a internalizar essa visão. Por isso, é fundamental o papel da escola, da terapia ou o convívio com pessoas que tenham uma opinião crítica sobre esse sentimento hostil imposto pela sociedade.” De acordo com ela, a partir desses diálogos, a criança começa a assimilar e a compreender que é necessário respeitar as variedades comportamentais e sociais.

O mito da apologia

Muitas pessoas veem como uma forma de apologia a discussão de questões referentes à homoafetividade e suas ramificações. Outros acreditam que a convivência com gays pode influenciar nos comportamentos ou nas preferências sexuais da crianças.

Acerca dessa prerrogativa, a psicóloga esclarece que não existe a possibilidade da homossexualidade ser estimulada. “Ser gay não é uma escolha ou apenas uma prática sexual, tão pouco uma doença ou desvio. É uma questão de identidade, de se ver e se sentir dessa forma. Hoje, há novas constituições familiares, sejam por pais homoafetivos ou por crianças criadas por avós, irmãos ou por pessoas sem laços consanguíneos. Essas diferentes configurações não implicam em absolutamente nada na criança, desde que a família seja, de fato, uma união de afetos.”

No entanto, no caso de pais homossexuais, é recomendado que os filhos tenham acompanhamento de especialista, tendo em mente que a homossexualidade ainda é vista como um punidor social, podendo desencadear o bullying entre os pequenos.

O momento ideal

A dúvida que ronda muitos pais é quando devem ser iniciados os diálogos sobre homoafetividade. Não há uma fórmula que defina a quem cabe este papel, mas a conversa deve começar em casa.

A explicação deve acontecer de forma natural, da mesma forma como se explica o amor entre os casais heterossexuais ou os laços afetivos. Também devem ser respeitados os limites de cada criança e seu nível de amadurecimento. “Os familiares e a escola podem introduzir o tema falando acerca do respeito em relação às diferenças entre os colegas e sobre a igualdade de direitos”, elucida Nayara.

Na escola, ainda de acordo com ela, podem ser adotadas, na sala de aula, outras estratégias como a inserção de temas que fazem parte do processo educacional, como ética, respeito mútuo, justiça, solidariedade, matriz da sexualidade, relações de gênero, prevenção de doenças, entre outros direcionamentos. Vale ressaltar os livros infantis específicos sobre o tema e a mediação de conflitos que ocorrem no ambiente escolar.

“Os educadores devem ser treinados para isso, pois o ideal é que ele tenha em mente a importância de propiciar ao seu aluno um ambiente que priorize e estimule o respeito à diversidade, ajudando a formar cidadãos mais educados e respeitosos que se preocupam com os outros, o que pode e deve ser estimulado”, defende a especialista.

MEC tenta implementar ‘Kit gay’

Sob muitos protestos, a Prefeitura de São Paulo tenta implantar na rede municipal de ensino o chamado ‘Kit gay’, que aborda temas como preconceito, violência, diversidade sexual e gravidez na adolescência. Uma iniciativa semelhante foi desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), “Escola sem homofobia”, que visa a combater a violência contra os homossexuais nos colégios. A pasta decidiu criar e distribuir o kit após um estudo realizado em escolas de 11 capitais brasileiras, que revelou um quadro de depressão, baixo rendimento escolar, evasão e suicídio entre os alunos de sexta à nona séries, vítimas de preconceito.

Os materiais, compostos por cartilhas e vídeos, seriam distribuídos aos professores da rede pública de ensino para que esses assuntos fossem discutidos em sala de aula. Em 2011, a ala mais conservadora do Congresso, formada pela bancada evangélica, não aprovou o modelo, dizendo que os kits ensinam a homossexualidade. O conteúdo foi vetado pela presidência, que alegou, na ocasião, que o Governo não pode interferir na vida privada das pessoas, apenas fazer uma educação voltada para o respeito às diferenças. Já a psicóloga infantil Nayara Peron defende que, embora não seja fácil, a diversidade sexual deve ser, sim, inserida no ambiente escolar.

Os vídeos que faziam parte do kit caíram na internet e causaram polêmica e muita discussão. São cinco histórias fictícias que abordam situações cotidianas, três delas no ambiente escolar, relacionadas à diversidade sexual. Quando retratados, os casais homossexuais são adolescentes e aparecem, no máximo, de mãos dadas.

Ainda dentro da proposta de levar a discussão para as escolas, o MEC pretendia inserir nos livros didáticos a temática das famílias LGBTs, visando a desconstruir a heteronormatividade e o estereótipo da família convencional.

Os projetos não foram adiante, mas o MEC ainda segue revisando o conteúdo de abrangência nacional em parceria com entidades e dez universidades federais. O intuito da pasta é poder distribuí-lo para cerca de seis mil escolas da rede pública de todo país, para alunos de 7 a 10 anos, pelo programa “Mais educação”.

Segundo a psicóloga, seria melhor iniciar a abordagem na educação básica, de forma natural, para que a criança vá se apropriando dos conceitos de não discriminação, respeito às diferenças e diversidade sexual. “Implementar o ‘Kit gay’ sem nunca antes ter abordado o tema pode ser um erro. As questões de gênero deveriam constar na grade curricular, como vem acontecendo, por exemplo, com a educação ambiental.”

Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/como-explicar-a-homoafetividade-para-as-criancas/

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Nayara Benevenuto
Nayara Benevenuto
Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes. Atende: adultos, casais, famílias, crianças e adolescentes. Afiliada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

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