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Brigas entre irmãos: 7 dicas para acabar com elas

A competição e as discussões entre seus filhos estão deixando você maluco? Conheça algumas estratégias para pôr fim nesse tormento.“Manhêêê, olha ele!” Quem tem mais de um filho em casa certamente está familiarizado com essa frase. Sim, os filhos brigam. E haja paciência para remediar conflitos, desacordos e discussões que podem acontecer por todo e qualquer motivo. “Eles costumam girar em torno de disputas: um lugar no carro, um brinquedo, um elogio. Na verdade, as crianças brigam pela atenção dos pais, para terem exclusividade”, afirma a psicóloga Ana Cássia Maturano, coautora do livro Puericultura – Princípios e Práticas (Ed. Atheneu). Para os cuidadores, muitas vezes esses atritos dão a sensação de culpa: primeiro, por não conseguirem evitar as brigas e, depois que elas acontecem, por fracassarem ao tentar solucioná-las. No entanto, esse sentimento não condiz com a realidade. “Não se enganem os pais ao julgar que há pouco espaço ou poucos brinquedos. Mesmo com fartura, inclusive de atenção, as brigas acontecem, porque os irmãos têm de ajustar suas necessidades ao convívio social”, esclarece a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo.

Quando os conflitos fazem parte de um contexto que envolve também momentos de carinho, parceria e cumplicidade entre irmãos, não devem ser motivo de preocupação excessiva, apenas de monitoramento e orientação. Agora, se notar atitudes de desafeto contínuas, que podem ferir – física ou psicologicamente – ou denegrir um irmão, é sinal de alerta. Se esses problemas estiverem atrapalhando o funcionamento escolar ou social da criança, procure um médico especialista em comportamento infantil para uma avaliação, aconselha o psiquiatra da infância e adolescência Gustavo Teixeira, autor do livro Manual Antibullying (Ed. Best Seller). Mas já que as brigas fazem parte do convívio entre irmãos, o jeito é aprender a lidar com elas.

Leia as dicas a seguir, respire fundo e parta para a ação.

1 – OFEREÇA SOLUÇÕES

“Os pais devem conversar e fazer acordos ou combinados com os filhos. Conceitos éticos, respeito, compreensão e aceitação em relação às diferenças podem ser enfatizados. E, claro, as consequências por brigas e mau comportamento devem ser aplicadas, desde que tenham sido anteriormente discutidas e acordadas”, explica o psiquiatra Gustavo Teixeira.

Quezia Bombonatto, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia, compartilha da mesma opinião. “A bronca, por si só, pode até parar a briga, mas não resolve a causa. O papel dos pais é juntar os filhos e dizer: se vocês estão brigando, vamos criar regras para o uso do videogame, por exemplo. O ideal é que as crianças estabeleçam o regulamento. Caso não consigam, o adulto deve ajudar. Assim, é mais fácil cumprir o combinado e amenizar a frequência das brigas”, afirma a especialista.

2 – AVALIE A HORA DE INTERVIR

Qual mãe ou pai não sente um impulso quase incontrolável de botar ordem na casa toda vez que as crianças começam a discutir? Só que, às vezes, o melhor mesmo é se conter para dar a chance a elas de tentarem resolver os conflitos por conta própria.

No entanto, Quezia Bombonatto reforça que, quando os pais forem procurados ou se a situação pedir, eles têm de ouvir todos os lados, ponderar e mediar o conflito, e não punir coletivamente. “Além disso, devem tentar ser justos nas intervenções e nas punições”, afirma. Mas ela enfatiza que, se o conflito for apenas uma discussão, sem grandes consequências, o melhor é não interferir, porque as crianças precisam aprender a resolver as dificuldades e a negociar entre elas.

3 – CONVERSE

Todos os especialistas consultados concordam que essa ainda é a melhor maneira de educar e impor limites. O problema é que uma única conversa não resolve nada. É necessário insistir, pacientemente, para que os efeitos do diálogo possam ser percebidos. Os pais devem persistir, falar a mesma coisa várias vezes, de jeitos diferentes, e – fundamental! – dar o exemplo. Se as dificuldades na casa são resolvidas com brigas e gritaria, não dá para esperar que as crianças façam diferente. Afinal, é assim que elas vão aprender a contornar seus conflitos.

4 – ENSINE A DIVIDIR

Com certeza, a principal disputa dos filhos é por brinquedos. Eles podem nem estar interessados naquele jogo antigo, mas basta um deles pegá-lo para que os outros queiram também. Aí começa a confusão.

Ensinar a dividir dá trabalho, e é compreensível o ímpeto dos pais de tirar o objeto de circulação. Aparentemente, resolve o problema. Mas, se você tira um brinquedo, eles vão competir por outro. A única coisa que muda é o objeto de disputa. Não tem jeito, os pais devem estipular limites: se eles não estão sabendo dividir, você é que determina como fazer. O melhor é uma boa conversa, não qualquer tipo de ameaça. Outra solução é incentivá-los a decidir juntos como compartilhar. Quando chegarem a uma conclusão, voltam a brincar.

5 -CONTROLE O TOM

Um grito pode até parecer a única saída no momento em que a briga está quente. Porém, a longo prazo, levantar o tom de voz atrapalha. “Gritar só ajuda a intimidar. Não educa, não aproxima, não desperta o respeito nem inspira a criança quando for a vez dela de resolver um problema”, diz a psicóloga Rita Calegari.

A receita, mais uma vez, é exercitar a paciência. “De nada vale as crianças pararem de brigar por medo e não por entendimento, alerta Rita.

6 – FAÇA JUSTIÇA (SEM LEVAR EM CONTA A IDADE)

A tentação de proteger o mais fraco é grande. Muitos pais caem nessa armadilha, privilegiando os caçulas, mesmo quando os maiores são os que têm razão.

Fique atento para não cair na tentação de passar a mão na cabeça do menor. “Os pais podem até exigir uma postura mais amadurecida do mais velho, mas quem tem de dar conta da educação são os adultos. O nível de exigência deve ser proporcional à idade, assim como a punição, mas sempre buscando ouvir os dois lados para saber quem tem razão”, ensina a psicopedagoga Quezia Bombonatto.

7 – IMPONHA LIMITES SEM OFENDER

Seja na hora do conflito ou depois, inevitavelmente os pais precisarão repreender os filhos pela briga e estabelecer limites. Mas como fazer isso?

Além de não fazer comparações, o psiquiatra Gustavo Teixeira orienta a nunca censurar a criança com adjetivos que agridam sua autoestima, dizendo, por exemplo, que ela está parecendo um bebezinho. “O certo é desaprovar o comportamento, não a criança, de preferência usando exemplos positivos”, explica. Outra dica é tentar despertar a empatia delas. “Pergunte como se sentiria se estivesse no lugar do irmão. Isso ajuda a entender o ponto de vista dos outros e a ceder”, conclui a psicóloga Rita Calegari. Por tréguas mais longas e um pouco de tranquilidade na casa, não custa tentar.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Familia/Irmaos/noticia/2015/12/brigas-entre-irmaos-7-dicas-para-acabar-com-elas.html

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Nayara Benevenuto
Nayara Benevenuto
Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes. Atende: adultos, casais, famílias, crianças e adolescentes. Afiliada à Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

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