Como já exposto em textos anteriores¹ e ², as emoções são fundamentais em nossa vida e é ainda mais importante durante a infância, fase em que ela é a maior forma de comunicação. Portanto, a expressão emocional na infância deve ocupar nossa atenção!

A criança absorve informações e reproduz o que vê ao seu redor com muita facilidade: ela é como uma esponja! Muitas vezes não nos damos conta dos seus sentimentos e por vezes as crianças não estão preparadas emocionalmente para verbalizar tais sentimentos. Até nós adultos temos dificuldades, não é mesmo?

Incentivar as crianças a falar sobre seus sentimentos é algo que deveria ser praticado desde o momento em que elas conseguem compreender conceitos como alegria, medo, tristeza, raiva, ciúmes. Sentimentos que podem ser facilmente percebidos pelos adultos que as rodeiam, mas que usualmente deixamos passar. A identificação e diálogo sobre sentimentos/emoções durante a infância livre de julgamentos permitirá que nas fases posteriores ela não tenha dificuldades de falar sobre seus sentimentos/emoções.

Contudo, é mais comum ouvirmos de adultos frases como “não chore”, “você precisa ser corajoso”, “isso não é motivo para medo” para aliviar o sofrimento e o descontentamento das crianças. O problema é que, mesmo funcionando momentaneamente, a longo prazo essa forma de lidar com as emoções pode fazer com que as crianças aprendam a não expressar o que sentem. E silenciar as emoções pode trazer implicações no desenvolvimento psicológico e social.

Destaco, novamente, que muitas de nossas dificuldades, enquanto adultos, em lidar com emoções, são devido às formas como aprendemos a lidar com tais sentimentos na infância. 

Ignorar ou negar as emoções das crianças (e dos adultos) é um comportamento perigoso. Se queremos saúde emocional e relacionamentos positivos, precisamos dar importâncias aos pensamentos e emoções, mesmo que ainda imaturos. As crianças precisam perceber nosso apoio para que se conheçam melhor, o mundo delas, suas percepções e sentimentos são importantes. Por mais que nos parece nada, o que a criança vive é, em seu universo, de extrema importante e real!

Desprezar os sentimentos e sensações podem fazer da criança um adulto menos equilibrado. Devemos estar prontos ao diálogo, claro que diálogo adaptado a cada fase vivida. Se ela teme fantasmas (aos 4 anos de idade) é vã a tentativa de dizer que não eles não existem. Não devemos dizer que seu medo não existe, que sua angústia não é válida. O melhor é ajuda-la a lidar com esse medo: Vamos mandar esse fantasma embora? Aqui não é lugar dele! Vamos procurar juntos esse fantasma? Onde ele estaria? Acolher a criança, seus medos e fantasias e dar a ela segurança para que ela sinta esse conforto e proteção.

Com a idade mais avançada, pode ir ficando mais fácil nomear concretamente seus temores, mas pode ser preciso incentivo para não apenas falar sobre suas emoções, mas para perceber que ela mesma tem recursos internos para buscar ajuda ou até resolver por ela mesma as questões que as afligem.

Não só a emoção do medo (comum na infância), mas também a raiva, a tristeza ou a irritação, são todas respostas naturais e de causas diversas: incompreensão do que está acontecendo, frustração, birra. Todas dizem de algo, trazem uma mensagem que precisa ser entendida. E só conheceremos esse algo se não o rejeitarmos, ou negarmos, exigindo um comportamento ideal para nós adultos. Tal rejeição tem impacto na construção da identidade da criança. Ao reprimir as emoções infantis possibilitamos o desenvolvimento de adultos incapazes de lidar com a linguagem emocional própria, como a do outro – a construção da empatia também fica comprometida.

Através de compreensão e carinho podemos ajudar na expressão das emoções na infância, sejam positivas ou negativas. Uma criança emocionalmente bem desenvolvida torna-se um adulto mais capaz de enfrentar e solucionar suas dificuldades 

Se você tem dificuldades em identificar as emoções, ou quer ajuda para trabalhar as emoções de seus pequenos, não deixe de conferir nosso texto sobre Emoções, sobre Emoções na infância. A busca por ajuda profissional também é importante para auxiliar no processo de comunicação familiar.

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